A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) lançou esta terça-feira uma linha gratuita de apoio informático. Através do contacto 800 100 555, qualquer pessoa que tenha “poucas competências digitais”, pode utilizar este número para aprender a fazer videochamadas ou enviar mensagens de texto através de um smartphone. “Havendo condições”, este projeto é para continuar após a pandemia, diz ao Observador Nuno Feixa Rodrigues, um dos responsáveis pelo projeto.

Para já, esta linha gratuita, apelidada de “Linha Somos Tod@s Digitais”, está a ser lançada numa fase piloto e funciona das 12h00 às 20h00. Como explica o Nuno Feixa Rodrigues, também coordenador do INCoDe.2030, esta iniciativa foi lançada durante a pandemia do novo coronavírus, numa primeira fase, para combater a sensação de isolamento. Assim, quem precisar de utilizá-la vai poder contar com apoio para resolver “questões de texto, voz e imagem”. “No fundo, videochamadas”, esclarece Feixa Rodrigues.

 Esta primeira fase do projeto é mais focada para ferramentas de comunicação digital para combater a sensação de isolamento: texto, voz e imagem.”

Esta iniciativa da FCT, através da Unidade de Computação Científica Nacional (FCT/FCCN) é feita em parceria com a operadora de telecomunicações NOS que fornece as ferramentas informáticas de call center a título pro bono. Para ajudar quem precisa, a linha conta ainda com “cerca de 30 estudantes” do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) coordenados por 15 docentes da instituição. O projeto faz parte do programa governamental INCoDe.2030 dedicado ao reforço das competências digitais da população.

Enquanto todos temos a obrigação de estarmos mais isolados, A Linha Somos Tod@s Digitais será um veículo essencial para ajudar muitos portugueses a ligarem-se aos seus familiares, amigos, e ao mundo no geral.”

A ” oportunidade de lançar a linha” surgiu recentemente, assume o responsável que não deixa de referir: “A preocupação vem desde de sempre”. Não podendo estar a decorrer as iniciativas presenciais do INCoDe.2030, foi preciso arranjar esta solução, conta. E que não haja dúvidas, esta linha não é apenas para ajudar idosos. Apesar de ser uma faixa da população que mostra mais dificuldade nestas áreas, reconhece o responsável, este projeto é “para pessoas com poucas competências digitais, para quem precisar”.

A preocupação vem desde de sempre. A ideia da linha [telefónica gratuita] surgiu agora por não podermos estar em contacto direto. Como o modelo de contacto direto não vai poder funcionar, neste período devíamos aproveitar a vontade das pessoas. Surgiu [assim] a oportunidade de lançar a linha”, conta Nuno Feixa Rodrigues.

Todos os estudantes que estão a colaborar neste atendimento informático telefónico fazem-no a título voluntário. Houve uma formação à distância e cada um está a trabalhar de casa devido às medidas impostas de isolamento social. “É um call center à distância”, refere Feixa Rodrigues.

Ao contrário da linha SNS 24, estes voluntários, em vez de responderem a dúvidas de saúde, ajudam a população a ficar mais ligada durante esta época. “Nunca falamos em Covid, nem em doença, para não haver confusões”, diz. O objetivo é ajudar informaticamente: “Ninguém confunda isto com uma linha de saúde”, diz, para evitar picos de utilização.

Contudo, se o serviço começar a ter grande afluência, o objetivo vai ser convidar mais estudantes de outras instituições para ajudarem. Sendo o primeiro dia de arranque, o coordenador diz que é preciso esperar para perceber qual será o volume de pedidos.

“Assim que percebermos também nos dá argumentos para ir buscar voluntários a mais instituições”, refere o responsável. No entanto, Feixa Rodrigues garante que o serviço disponibilizado pela NOS já está preparado caso pessoas tenham de ficar em espera e, se necessário, ligar de volta a quem não tiver o apoio que procura nesta fase piloto.

O INCoDe.2030 já vem trilhando um caminho em Portugal no apoio ao conjunto da população com menos competências digitais. Um apoio que passa pela pedagogia e a disseminação da literacia digital àqueles que não têm um acesso direto a ela. Naturalmente, o contexto atual da COVID-19, com o que significa para todos, acabou por acelerar a necessidade de colocarmos em prática mais esta iniciativa.”

Numa época que mostra que o teletrabalho vai crescer, o INCoDe.2030 quer através deste tipo de projetos capacitar também a população para as competências tecnológicas necessárias para o futuro do trabalho. “Quanto mais bem preparada estiver a população, melhor”, diz ainda o coordenador sobre esta iniciativa lembrado que “depois desta crise” estes conhecimento vão ser ainda mais necessários.

No site do INcoDe.2030 foram ainda lançados “pequenos tutoriais explicativos sobre a utilização de aplicações como o Skype, WhatsApp, Facebook, Messenger, Instagram”, refere a FCT em comunicado.