A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os países para os riscos de as restrições à liberdade de movimentos serem levantadas “muito rapidamente” durante esta pandemia de Covid-19. As declarações foram feitas durante a conferência de imprensa desta sexta-feira.

“Sei que alguns países já estão a preparar a transição para sair das restrições do ‘Fiquem em Casa’. A OMS quer ver essas restrições levantadas, como toda a gente. Mas, ao mesmo tempo, levantar essas restrições muito rapidamente pode levar a um ressurgimento letal“, avisou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, no briefing diário da organização sobre a Covid-19.

O caminho para sair [da contenção] pode ser tão perigoso como o caminho até entrar, se não for gerido convenientemente”, acrescentou o diretor-geral da OMS.

Ghebreyesus relembrou que até países com sistemas de saúde robustos estão a enfrentar dificuldades com esta doença, razão pela qual quis sublinhar que “nenhum país está a salvo”.

Ainda no mesmo briefing, a OMS mostrou-se preocupada com os “altos níveis de infeção” registados entre os profissionais de saúde: “Em alguns países temos relatos de que 10% dos profissionais de saúde estão afetados. Esta é uma tendência alarmante”.

Em concreto, Ghebreyesus explica que essas infeções acontecem frequentemente devido a um diagnóstico tardio de Covid-19 num doente, ou inexperiência dos próprios profissionais. “Muitos profissionais de saúde também estão expostos a um grande número de doentes, em turnos prolongados e com períodos de descanso inadequados”, reconheceu ainda a OMS. Por essa razão, mais do que nunca, o diretor-geral da OMS sublinhou a necessidade de haver Equipamento de Proteção Individual (EPI) em número suficiente para todos os profissionais.

“Alarmante” foi também a palavra usada por Tedros Adhanom Ghebreyesus para classificar a aceleração do número de casos do novo coronavírus em alguns países, nomeadamente africanos.

Gostaria de destacar África, onde estamos a assistir à propagação do coronavírus em áreas rurais”, disse o diretor-geral. “Já estamos a ver surtos de casos e transmissão dentro da comunidade em mais de 16 países [africanos]”.

Já o responsável de Emergências da OMS, Michael Ryan, lamentou que se use as falhas na contagem de casos como “armas políticas” contra os países. “Se um médico tiver salvado uma vida, mas não tiver feito essa contagem, fez um mau trabalho?”, questionou. “Acho que temos que dar alguma margem aos países, que estão a fazer o melhor que podem. O importante é garantir que não estamos a falhar a contagem de um surto num local ou de uma tendência de grande aumento. Se for um ou dois casos mal contados num dia, acho que pode acontecer.