Depois de Catherine Calderwood, Robert Jenrick? O ministro da Habitação do Reino Unido foi visitar os pais, que vivem a cerca de 65 quilómetros da sua casa, numa altura em que o governo pede aos cidadãos britânicos que fiquem em casa, que não vão a lado nenhum na Páscoa, e que não visitem nem os seus entes queridos. Tudo para travar a propagação do novo coronavírus. O ministro defende-se dizendo que foi apenas levar comida e medicamentos.

Diretora-geral da Saúde da Escócia fintou recomendações, foi advertida na casa de férias pela polícia e acabou a pedir demissão

O próprio ministro da Habitação, Robert Jenrick, fez aparições públicas a apelar aos cidadãos que não saiam das suas casas: “Temos de ficar em casa”, pediu esta quinta-feira, apelando a todos os britânicos que não violem as regras de confinamento decretadas pelo Governo. De acordo com o The Guardian, contudo, Jenrick foi visitar os pais no passado fim de semana a Shropshire, a cerca de 65 quilómetros de onde vive.

Uma fonte próxima do ministro admitiu àquele jornal britânico que o governante fez aquela viagem de carro numa altura em que já vigoravam as medidas do estado de emergência que apelam ao confinamento, mas defendeu que a viagem se deveu a prestar cuidados aos pais: deixar comida e medicação.

Mais tarde, no Twitter, o ministro argumentou que os pais estão em isolamento voluntário, devido à idade e à condição do pai, mas garantiu que respeitou as distâncias recomendadas.

As instruções do Governo britânico, que já tem mais de 65 mil doentes infetados e quase 8 mil mortos, são claras: “Não deve visitar familiares que não vivam na sua casa”. A única exceção é para o caso de eles precisarem de ajuda, como para efeitos de levar compras de supermercado ou medicamentos. É precisamente esse o argumento do ministro britânico.

O jornal, contudo, insiste que contactou com a comunidade onde os pais do ministro vivem, e concluiu que os vizinhos têm ajudado na aquisição de bens essenciais. É também essa a ideia que tem sido defendida pelo ministro da Habitação, que num artigo de opinião publicado no final de março no Daily Mail, defende que as comunidades locais é que devem prestar o maior apoio possível, para evitar que os familiares tenham de viajar e deslocar-se para prestar esse tipo de apoio a pais ou avós. “Enquanto criamos distância física entre nós, devemos ao mesmo tempo aumentar o apoio social entre os nossos vizinhos”, escrevia nessa altura.

O caso lembra o de Catherine Calderwood, a diretora-geral de Saúde da Escócia, que se demitiu este fim de semana depois de ter sido abordada pela polícia enquanto estava na sua casa de férias, na costa este do país, longe de Edimburgo, onde reside. No rescaldo do incidente, a diretora-geral de Saúde apresentou mesmo a demissão.