Não é fácil à primeira vista acompanhar a situação da Covid-19 na Escócia, tendo em conta que os números diários são distribuídos no global do Reino Unido, mas o governo liderado por Nicola Sturgeon decidiu criar uma página apenas dedicada ao novo coronavírus onde se encontram múltiplas informações e contactos relacionados com a pandemia. É aí também que encontramos os números totais em território escocês, que em 23.143 testes realizados até domingo teve 3.706 positivos e 220 mortos. O impacto tornou-se grande e foi por isso que, à semelhança de tantos outros países, as medidas sobre a população apertaram, sobretudo nesta altura.

Numa altura de pausa letiva já prevista e de Páscoa, o governo escocês voltou a apelar a todas as pessoas para que ficassem em casa, reforçando essa mensagem em relação a quem tivesse casas de férias. Ou seja, e numa altura em que a prioridade passa por controlar a pandemia, os movimentos no país deviam ser apenas os imprescindíveis. Este domingo, contudo, essa mensagem acabou por ser furada por quem menos se esperava. E teve mesmo consequências políticas, conhecidas esta noite.

O jornal The Scottish Sun conseguiu apanhar imagens de Catherine Calderwood, diretora-geral da Saúde da Escócia, este fim de semana na sua casa de férias na costa este do país, longe do local onde reside (Edimburgo). E foi a própria polícia, através do chefe Iain Livingstone, a atuar mediante o conhecimento público dessas fotografias, conforme explicaria num comunicado emitido este domingo.

“As autoridades policiais locais fizeram uma visita a casa da doutora Catherine Calderwood e falaram sobre as suas ações, reiterando o aviso crucial que é fundamental ser respeitado e deixou um alerta em relação à sua conduta no futuro. As instruções legais para que ninguém saia de casa sem um motivo maior são aplicadas a toda a gente (…) Quero agradecer a forma como a larga maioria das pessoas um pouco por todo o país estão a cumprir com o seu dever neste período de emergência pública de saúde”, destacou Livingstone.

“Enquanto eu e a minha família seguimos a norma de distância social em todas as ocasiões, sei que não segui a recomendação que foi feita por mim a outros e estou verdadeiramente arrependida por isso. Sei como essa recomendação é importante e não quero que o meu erro distraia as pessoas disso. Tenho o trabalho como diretora-geral da Saúde de aconselhar os ministros sobre o caminho que vírus está a seguir e apoiar os profissionais de saúde que têm trabalho dia e noite para salvar vidas e, depois de falar com a primeira-ministra esta manhã, vou continuar a colocar o meu foco nesse trabalho”, disse Calderwood num comunicado.

Mais tarde, em conferência, a diretora-geral da Saúde admitiu que já no fim de semana passado tinha ido para a sua casa de férias, reforçando o pedido de desculpas e dizendo que teve as suas razões para fazer a viagem mas que em nada justificam o facto de não ter cumprido as recomendações. Já Nicola Sturgeon destacou o papel que Calderwood teve no controlo da pandemia no país, descartou qualquer saída do cargo nesta fase. “Todos nós, incluindo eu, iremos cometer erros nestes tempos sem precedentes que estamos a viver”, referiu, citada pela Sky. No entanto, a oposição pede mais ações. “É uma posição muito complicada de perceber tendo em conta o dano que causou a nível de confiança pública. Não pode haver uma regra para quem manda e outra para todas as restantes pessoas”, referiu o líder dos conservadores escoceses, Jackson Carlaw, citado pela BBC.

À noite, Catherine Calderwood, que já tinha reforçado na conferência de imprensa o conhecimento de todos os comentários e críticas que circulavam nas redes sociais, acabou mesmo por apresentar a demissão.

Notícia atualizada após a demissão de Catherine Calderwood do cargo de diretora-geral da Saúde