Na sequência da declaração do estado de emergência, a 20 de Março, aumentou a procura dos portugueses pela informação, com especial enfoque em conteúdos em direto. Fechados em casa, os portugueses recorrem com mais regularidade à televisão, imprensa e plataformas oficiais, a quem atribuem mais credibilidade como fontes fidedignas sobre a temática do Covid-19. As conclusões são de um estudo do GroupM, elaborado pela Marktest.

Nesta fase, os noticiários transmitidos pela televisão lideram a procura: representam 64% dos canais de comunicação mais utilizados, com um grau de confiança de 86%. Nesta lista, seguem-se os sites oficiais do Governo, em procura (46%) e em confiança (57%). Os programas de debate na TV estão em terceiro lugar deste ranking, com uma utilização de 23% e uma confiança atribuída pelos portugueses de 44%. Seguem-se os sites de notícias online, a rádio e os jornais.

Já as redes sociais estão no campo oposto da fiabilidade da informação. São procuradas por 53% dos inquiridos mas apenas 5% lhes atribuem credibilidade — um ponto percentual abaixo das conversas com família e amigos (6%).

Perante os dados, José Dias Pinheiro, CEO do GroupM, conclui que houve uma “rápida alteração em muitos hábitos, de comportamento, de compra e na literacia digital, ao estabelecer-se definitivamente uma hierarquia nas notícias, com o jornalismo a obter maior credibilidade — por outro lado, informações veiculadas por redes sociais, vídeos e apps não são consideradas pelos portugueses”.

As maiores preocupações, da saúde à economia

Outras conclusões deste estudo mostram que os portugueses estão preocupados com a crise. E destacam três domínios: a saúde, família e emprego. No que respeita à saúde, 80% receia ficar ou ver um familiar infetado pelo coronavírus quando tem de sair à rua; 72% tem medo de ficar doente, ir ao hospital e ser infetado; e 66% teme não conseguir dar apoio a um familiar em necessidade.

Por outro lado, numa perspetiva económica, 58% está preocupado com a hipótese de perder rendimentos e 40% receia deixar de ter acesso a comida e a bens essenciais. Socialmente, 24% dos portugueses está preocupado com o facto de passar muito tempo fechado em casa. O estudo indica ainda que 85% dos portugueses considera ter adiado alguma atividade com esta crise, com impacto direto na economia.

O setor do turismo destaca-se dos demais, com as viagens no topo das atividades adiadas (51%). A retoma de projetos está prevista para o fim do surto epidémico em Portugal. Dos indivíduos que adiaram compras, 37% pensa retomá-las e 22% não tem a certeza quando irá fazer essa retoma. De destacar que essa percentagem de incerteza é maior nas mulheres e na geração mais velha (baby boomers).

O inquérito mostra ainda que os portugueses têm a expectativa de que as marcas contribuam com ações concretas no combate à pandemia e há já algumas a avançar nesse sentido. De forma espontânea, 71% dos entrevistados identifica pelo menos uma marca ou entidade, com o Continente a liderar as referências. Mas surgem também canais de televisão, clubes de futebol e Cristiano Ronaldo.