O Brasil, principal produtor e fornecedor mundial de café, exportou 3,3 milhões de sacos de 60 quilogramas de café em abril, num aumento de 2,5% face ao mesmo período de 2019, apesar da pandemia de Covid-19.

Os dados foram divulgados na terça-feira pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que indicou que a faturação aumentou em abril para 442,1 milhões de dólares (407,4 milhões de euros), ou seja, 9% a mais do que no mesmo mês do ano anterior, enquanto o preço médio do saco de café teve um aumento de 6,4% no período.

Para o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes, os dados do mês de abril foram uma “surpresa positiva”, com um resultado “superior ao esperado para o período”, tendo em conta o cenário atual da pandemia do novo coronavírus, assim como uma colheita menor.

Historicamente, pela primeira vez, os estoques praticamente se esgotaram durante o período entre colheitas, marcando de forma inédita a passagem de um ano de colheita para o próximo“, explicou Carvalhaes em comunicado, destacando o “esforço” das agroindústrias brasileiras para que o café chegue ao consumidor “com segurança e seguindo rigorosamente as orientações de cuidados e prevenção da Organização Mundial da Saúde” e das autoridades sanitárias brasileiras.

Entre janeiro e abril deste ano, o volume exportado de sacos de café foi de 13,3 milhões, o que representa uma redução de 0,9% em relação aos primeiros quatro meses de 2019, mas um aumento da faturação em 3,2%, para 1,8 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros).

O principal destino do café brasileiro nos quatro primeiros meses do ano foram os Estados Unidos da América, responsável pela importação de 2,7 milhões de sacos, representando 20,2% do total das exportações no período.

A Alemanha, o segundo maior consumidor, importou 2,4 milhões, o equivalente a 18,1% das exportações, enquanto que a Itália comprou 1,2 milhões de sacos (9,1%).

Segundo o Cecafé, entre as variedades de grãos mais exportadas em abril, o café arábica representou 79,9% do volume total embarcado para o exterior, seguido pelo solúvel, com 10,7%, e o robusta – considerado o grão de melhor qualidade –, que representou 9,4% do total das exportações.

O Brasil ultrapassou na terça-feira a barreira dos 800 óbitos diários associados ao novo coronavírus, tendo registado nas últimas 24 horas 881 mortes, num total de 12.400 vítimas mortais desde o início da pandemia.

Os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde, que anunciou ainda a existência de 9.258 novos infetados nas últimas 24 horas, totalizando 177.589 pessoas diagnosticadas com Covid-19 no país.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 289 mil mortos e infetou mais de 4,2 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Mais de 1,4 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.