Não são meros cancelamentos de festas devido à Covid-19, mas são também, pelo timing, uma forma do PSD enviar um sinal e uma crítica velada ao PCP. Numa altura em que os comunistas lutam por manter a Festa do Avante em setembro, o presidente do PSD, Rui Rio, anunciou esta quarta-feira no Twitter que o partido “decidiu não realizar nenhuma das suas festas de Verão, designadamente a do Chão da Lagoa, na Madeira, e a Festa do Pontal, no Algarve.” O PSD-Madeira já tinha, aliás, antecipado em abril que a edição deste ano da festa no Chão da Lagoa seria cancelada, o que é agora reconfirmado pelo líder do PSD.

O presidente do PSD diz que a decisão foi tomada “seguindo as regras do bom senso, e de respeito pela lei e pela saúde de todos”, o que sugere que quem mantiver essas festas (caso do PCP) não está a ter em conta a razoabilidade nem a saúde pública. Rui Rio acrescentou ainda que só “com disciplina e unidade conseguiremos vencer a Covid-19.

Embora não tenha a dimensão nem a mesma importância política que a Festa do Avante, a Festa do Pontal é uma tradicional festa social-democrata, realizada em agosto, que durante muitos anos foi pujante e marcou a rentrée do partido no ano político. Realizou-se pela primeira vez em 1976 (Sá Carneiro deu-lhe por essa altura estatuto) e manteve-se a bom ritmo até ao final dos anos 90. Depois disso, foi deixada para trás durante meia dúzia de anos. Em 2005, a festa foi reativada pela distrital do Algarve e Passos Coelho, desde que chegou em 2010, deu-lhe particular importância. Em tempos de PàF até uma festa do Pontal, que teve tons de azul. Pode recordar todas essas histórias aqui.

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Quando chegou à liderança do PSD, Rui Rio, mudou um bocadinho o estilo mega-comício que Passos Coelho tinha imposto nos últimos anos e tornou a festa mais popular, embora sem abdicar de intervenções políticas. No ano de estreia até vestiu o equipamento e participou num mini-torneio de futebol entre direção e autarcas.

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O Chão da Lagoa é igualmente uma festa mítica do PSD, com especial significado para o PSD-Madeira, e um dos momentos de afirmação da autonomia do durante décadas líder incontestado (Alberto João Jardim) face a Lisboa (à São Caetano à Lapa e a São Bento). O Chão da Lagoa — que agora já tem como figura principal o sucessor de Jardim no partido e no governo regional, Miguel Albuquerque — teve a sua primeira edição a 18 de Maio de 1975, ainda antes de haver Pontal, quando ainda se realizava no Chão dos Louros. A festa andou de forma itinerante por várias localidades madeirenses, até que assentou arraiais a 11 de julho de 1993 na herdade do Chão da Lagoa.