A maioria das creches recebeu na segunda-feira, em média, entre quatro a seis crianças, segundo um inquérito da associação do setor, que faz um balaço positivo da reabertura, mas alerta que ainda faltam materiais como termómetros de infravermelhos e álcool.

“No primeiro dia, 88% das creches reabriram mas tiveram em média entre quatro a seis crianças”, disse à Lusa Susana Batista, presidente da Associação de Creches e de Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP), com base no inquérito realizado na segunda-feira junto dos associados.

Houve 12% que não receberam qualquer criança porque os pais “não quiseram arriscar já esta semana com receio [da pandemia de covid-19], mas mesmo assim houve uma abertura administrativa”, explicou à Lusa. O caso mais complicado foi o de uma creche em Valongo, onde os pais tinham planeado deixar os filhos, mas optaram por adiar o seu regresso, porque ainda não eram conhecidos os resultados dos testes de despistagem do novo coronavírus.

Segundo Susana Batista, os testes aos educadores e funcionários foram realizados apenas na segunda-feira: “Em princípio durante o dia de hoje ou na quarta-feira chegam os resultados e as crianças recomeçam a ir a creche”, disse. Segundo dados do Governo, foram feitos cerca de 26 mil testes a trabalhadores das creches e apenas 0,3% dos casos revelaram ser positivos.

O inquérito da associação revelou ainda que a maioria dos pais (60%) que já enviou as crianças para a creche tem filhos no 1.º ciclo, ou seja, em escolas que este ano letivo vão continuar sem aulas presenciais e, por isso, terão de permanecer em casa.

Quanto ao impacto do regresso à escola para as crianças, as creches relataram diferentes situações, desde os que choraram pela separação dos pais mas também os que “entraram a correr para ver os amigos e cheios de saudades de brincar”, sublinhou a presidente da associação. As crianças ficaram “muito admiradas” com a nova decoração dos espaços, que agora têm muito menos brinquedos e não há nada colado nas paredes, mas não estranharam ver as educadoras com máscara.

“As crianças aperceberam-se das mudanças, mas estavam tranquilas. Elas ultrapassaram todas as nossas expectativas”, garantiu Susana Batista, sublinhando a importância do trabalho de preparação que foi desenvolvido nos últimos dias pelas creches e encarregados de educação.

“Temíamos que pudessem ter medo de ver as educadoras com máscara, mas não houve qualquer dificuldade”, disse, baseando-se nas respostas dos associados.

Quanto ao estado de espírito dos encarregados de educação, as creches encontraram “pais tranquilos, confiantes e conhecedores das orientações da Direção-Geral de Saúde”, que veio definir por exemplo que não podem entrar nos estabelecimentos ou que têm de trazer mudas de roupa para as crianças em sacos de plástico.

“Os pais vinham muito bem preparados e estavam muito compreensivos com as novas regras”, sublinhou Susana Batista. Apenas alguns dos funcionários que estavam encarregues de receber as crianças revelaram alguma ansiedade, principalmente devido à responsabilidade, acrescentou a representante do setor.

Susana Batista fez um balanço positivo do retomar da atividade presencial, mas admitiu que ainda existem alguns constrangimentos por falta de determinados equipamentos que continuam indisponíveis.

“Houve creches que encomendaram termómetros infravermelhos, que não implicam o contacto, mas não chegaram a tempo”, exemplificou, explicando que a alternativa foi usar outros termómetros. Também houve estabelecimentos que não encontraram à venda os dispensadores automáticos de gel e a opção foi comprar os dispensadores manuais.

Finalmente, a falta de álcool à venda está a obrigar as creches a usar gel desinfetante para limpar grandes superfícies, o que “fica extremamente caro”, lamentou Susana Batista, que apelou ainda para que haja uma regulação do mercado no que toca ao preço das máscaras cirúrgicas.