Ainda antes de ser conhecida publicamente a reunião que juntou no Palácio de São Bento o primeiro-ministro, António Costa, alguns ministros, o líder da Federação e os presidentes dos três “grandes”, Pedro Proença, número 1 da Liga de Clubes, enviou uma carta a Pedro Siza Vieira, ministro da Economia, onde falava na possibilidade de haver jogos da Primeira Liga em canal aberto. Mais tarde, já depois desse encontro que acabou por contar com Proença a convite de Fernando Gomes, homólogo da Federação, foi também dirigida uma carta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o intuito de reunir apoios para essa vontade de “abrir” jogos.

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Alguns clubes não gostaram, as operadoras muito menos. Esse será um dos pontos mais “quentes” da reunião desta tarde da Liga. Pedro Proença vai ouvir e defender algo que pensava ser claro nas cartas e nas posições: 1) nunca foi deixado de ser pedido a salvaguarda de todas as partes no caso de haver jogos em sinal aberto; 2) Sónia Carneiro, diretora executiva do órgão, salientou numa entrevista à SIC Notícias esta semana que a Liga “tem de proteger quem é verdadeiramente parceiro”, destacando NOS, Altice, Sport TV, Vodafone e Olivedesportos.

O tema, neste caso sensível por envolver mais de 50 milhões de euros, poderia ou não ficar por aí mas a questão dos jogos em sinal aberto é apenas uma árvore na floresta. E a insatisfação crescente dos clubes pode levar à saída de Proença. Agora, um cenário pouco real tendo em conta a imagem que passaria do futebol português numa fase delicada, ou nas próximas semanas – uma ideia que ganhou peso nos últimos dois dias.

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Mas de onde vem a insatisfação dos clubes, liderada por Benfica com anuência do FC Porto, conhecimento do Sporting e apoio de pelo menos mais quatro equipas da Primeira Liga? São questões que se adensaram nos últimos dois meses, onde começou a crescer a ideia que a Liga teve um comportamento ziguezagueante na paragem das competições. Se em junho de 2019 Proença foi reeleito com 46 dos 48 votos possíveis, hoje pode ter perdido pelo menos metade (ou mais). E o exemplo do Marítimo é paradigmático nessa divisão existente.

Depois de ter ficado definido no “Regulamento do Fundo de Apoio à Tesouraria em resposta ao Covid-19” que os clubes teriam de aceitar a classificação final sem hipóteses de impugnação para que fossem desbloqueados todos os apoios aos clubes da Segunda Liga após o final da prova, o Marítimo recorreu para o TAD da decisão e impugnou a decisão, tentando congelar subidas e descidas que, na realidade insular, terão afetação natural na distribuição dos subsídios pelo governo regional da Madeira com a ascensão do Nacional ao principal escalão. Já antes, no primeiro encontro pós-reunião em São Bento, o Benfica, através de Luís Filipe Vieira, tinha criticado Proença por ter omitido os mecanismos para ressarcir a Segunda Liga, nomeadamente um milhão da Federação.

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Marítimo, Sp. Braga ou Belenenses SAD são outros dos clubes descontentes num processo que envolve ainda o pedido da transmissão de jogos em sinal aberto sem falar com clubes ou operadoras ou o cancelamento da Segunda Liga. O líder da Liga vai colocar em cima da mesa o trabalho feito para o regresso do futebol ou a aceitação de mais estádios do que era suposto. Certo é que a continuidade no cargo parece estar mesmo ameaçada e já são falados pelo menos dois nomes nos bastidores que reúnem o perfil para sucederem a Proença no cargo.

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