São conhecidos como os Super Six (Super Seis): Norman, Digby, Storm, Star, Jasper e Asher, todos nascidos no Reino Unido — das raças labrador e cocker spaniel — detetam doenças através do odor. Com a pandemia da Covid-19, os investigadores que com eles trabalham, do Medical Detection Dogs Center, no Reino Unido, procuram agora perceber se os animais são capazes de detetar a doença.

Segundo os cientistas do centro de investigação, não é ainda certo se o novo coronavírus causa algum odor corporal distinto. Em caso positivo, os investigadores acreditam que seria possível treinar os animais de forma a que detetem o vírus. Nesse caso, dizem, o treino de cada animal poderia ser feito em entre seis a oito semanas — e cada cão podia ‘testar’ 250 pessoas por hora.

“Os cães do nosso programa de biodetecção podem detetar doenças como diferentes tipos de cancro, malária e Parkinson, enquanto os do programa de assistência médica alerta trabalham com pessoas com diabetes tipo 1, doença de Addison”, alergias graves, entre outras, descreve ao El País uma porta-voz do centro de investigação. A Medical Detection Dogs Center treina ainda cães para procurarem explosivos e drogas (por exemplo, nos aeroportos) ou pessoas desaparecidas, nomeadamente após um terramoto.

Para detetar a Covid-19, o centro não está sozinho: tem uma parceria com investigadores da London School of Hygiene and Tropical Medicine, que, em conjunto com cientistas da Universidade de Durham, já tinham provado que os cães conseguem detetar a malária.

Estes resultados sustentam a ideia de que cada doença tem um odor único que os cães conseguem detetar. Acreditamos que eles têm o potencial de detetar o cheiro do Covid-19 porque já demonstraram que são capazes de identificar corretamente outras patologias e infeções nas pessoas. Ainda não sabemos se a Covid-19 tem um odor específico, mas achamos que sim, e se sim, confiamos que eles irão detetá-lo”, acrescentou a porta-voz.

O projeto conta com um financiamento do governo britânico de meio milhão de libras (cerca de 558.150 euros, à taxa de câmbio atual) e há um crowdfunding para quem queira contribuir. A primeira fase vai passar por perceber, através de um treino intensivo, se os animais são capazes de detetar a Covid-19 e durará entre oito a dez semanas. Nos hospitais britânicos do Serviço Nacional de Saúde vão ser recolhidas amostras de indivíduos doentes e saudáveis — a partir de materiais como máscaras, que os investigadores irão depois usar para perceber se os animais distinguem os diferentes odores.

***CV-19 SUPER SIX***These are the six noses that could soon be trained to detect if someone has COVID-19 and play a…

Posted by Medical Detection Dogs on Saturday, April 18, 2020

Se esta fase correr bem — ou seja, se for possível comprovar que os animais detetam a presença da doença — segue-se para a segunda fase, em que serão feitos testes em “situações reais”. Por exemplo, em aeroportos e outros locais públicos, com os cães a farejar os passageiros que aterram.

“Os cães já realizam várias tarefas nos aeroportos. Os animais treinados para detetar a Covid-19 seriam integrados de maneira semelhante, para detetar passivamente, ou seja, sem contacto físico, os passageiros em determinados locais do aeroporto”, adianta a mesma porta-voz.