A líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), na oposição, acusou esta quarta-feira o governo de “mudar a realidade das coisas” e justificar tudo o que não fez em quatro anos com a pandemia de Covid-19.

“Não é razoável, todavia, que o governo, por causa desta pandemia, tente mudar a realidade das coisas e justificar tudo o que não fez nestes últimos 4 anos, quando os ventos estavam calmos e bastante favoráveis”, acusou Janira Hopffer Almada, no debate mensal no parlamento com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

A presidente do maior partido da oposição cabo-verdiana, no debate sobre as Políticas Públicas para o mundo rural e medidas para o contexto de emergência, provocado pelo novo coronavírus, notou que o Governo já cumpriu quatro anos de mandato e governou num “ambiente internacional extremamente favorável”.

Governou sem que o mundo tivesse sido assolado por nenhuma crise grave, até março de 2020. E isso é muito importante, porque todos sabemos que Cabo Verde é muito sensível e vulnerável a choques externos”, salientou Hopffer Almada.

Para a líder partidária, o primeiro-ministro teve quatro anos “para fazer aquilo que qualquer governo deve fazer”.

“Isto é, implementar o seu programa de governo! Teve ambiente! Teve recursos! E teve todas as condições políticas e institucionais, para tomar as medidas que entendesse, e cumprir o seu programa de governo“, insistiu.

No debate, proposto pelo grupo parlamentar do PAICV, Janira Almada questionou o primeiro-ministro sobre o cumprimento de promessas com o mundo rural, as expectativas e preocupações dos agricultores e criadores de gado e se as famílias vivem hoje melhor.

“Consideramos que quatro anos depois, é tempo de lhe perguntar, com toda a franqueza, se o senhor acha que o seu governo merece ser aprovado neste domínio tão sensível da vida socioeconómica do país”, prosseguiu a presidente do PAICV.

Janira Hopffer Almada questionou ainda o governo sobre quantos agricultores e criadores de gado foram apoiados e quantos empregos foram criados com os 10 milhões de euros mobilizados a nível internacional, em 2017, para mitigar os feitos da seca e do mau ano agrícola.

Para a presidente do maior partido da oposição, os últimos quatro anos de governação foram “uma oportunidade perdida” para uma abordagem sobre os impactos das mudanças climáticas e das secas e que o governo não aproveitou para promover a mudança da gestão das crises.

A líder do PAICV questionou ainda o governo sobre aproveitamento das potencialidades do setor do turismo para a agropecuária, apoio à empresarialização do setor, energias renováveis e parques científicos e tecnológicos de agropecuária.