As Nações Unidas alertaram esta quarta-feira que os seus programas para combater o novo coronavírus no Iémen podem ter de acabar no final do mês, a menos que recebam dinheiro imediatamente.

O alerta é feito um dia depois de uma conferência de doadores, em que o apelo para ajuda de emergência ao país mais pobre do mundo árabe ficou mil milhões de dólares aquém do que as organizações de auxílio precisavam – 2,4 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros) – para cobrir as atividades essenciais de junho a dezembro.

Isto dificultará seriamente os esforços para conter o surto, que já se está a espalhar rapidamente”, disse Hayat Abu Saleh, porta-voz do responsável da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Pelo menos 31 importantes programas da ONU no Iémen, incluindo setores como a alimentação e os cuidados de saúde, estão em “risco sério de uma significativa redução ou encerramento”, referiu a porta-voz.

O coronavírus ameaça destruir o sistema de saúde do Iémen, já devastado por mais de cinco anos de guerra civil.

Hayat Abu Saleh previu que a ONU começará provavelmente a encerrar alguns dos seus programas de controlo de doenças no próximo mês, incluindo os relativos à cólera, malária e dengue, pedindo aos doadores para honrarem as suas promessas “imediatamente”.

A conferência de terça-feira permitiu a recolha de 1,35 mil milhões de dólares (1,20 mil milhões de euros), metade do que é necessário.

O secretário-geral do Conselho Norueguês de Refugiados, Jan Egeland, também pediu que o dinheiro prometido na conferência fosse “desembolsado imediatamente” e instou as partes em guerra a pararem de lutar e a concentrarem os esforços na luta contra a pandemia da Covid-19.

Desde abril, as autoridades nas áreas controladas pelo governo do Iémen reconhecido internacional contaram cerca de 400 infetados, incluindo 87 mortos.

Os rebeldes Huthis, que controlam a maior parte do norte do país, incluindo a capital Sanaa, declararam apenas quatro casos de coronavírus e uma morte.

A Organização Mundial da Saúde acredita haver uma subestimação significativa do surto.

A guerra no início começou em 2014, quando os Huthis, ajudados pelo Irão, capturaram Sanaa, forçando o governo a fugir. Desde a primavera de 2015, uma coligação internacional dirigida pela Arábia Saudita apoia militarmente o governo iemenita na luta contra os rebeldes xiitas.

Mais de 100.000 pessoas morreram e cerca de quatro milhões ficaram deslocados devido à guerra no país, com a pior situação humanitário no mundo, segundo a ONU.