O governo britânico pretende diluir os planos de controlos aduaneiros de mercadorias provenientes da União Europeia (UE) para aliviar a pressão sobre as empresas afetadas pela pandemia Covid-19, foi esta sexta-feira noticiado.

Em fevereiro, o governo britânico anunciou que as mercadorias provenientes da UE teriam de ser sujeitas a inspeções e declarações aduaneiras, mas o jornal Financial Times revelou esta sexta-feira, com base numa fonte oficial não identificada, que Michael Gove, o ministro encarregado pelos preparativos relacionados com o Brexit, vai optar por “uma abordagem pragmática e flexível”.

Em vez de controlos completos, o governo vai agora introduzir um regime temporário menos rigoroso em portos como Dover para facilitar a entrada de mercadorias da UE, adianta o Financial Times. A BBC também está a noticiar, citando fontes do governo, a mesma decisão, que ainda não foi oficialmente anunciada.

O Reino Unido saiu da UE em 31 de janeiro, mas mantém acesso ao mercado único e outras estruturas económicas europeias durante um período de transição que dura até o final do ano. Os dois lados estão a tentar negociar um acordo de comércio para entrar em vigor em 2021, mas as negociações têm estado num impasse devido a divergências em questões como as pescas ou regras da concorrência.  O Reino Unido insiste que não vai pedir para prolongar o período de transição, cuja opção tem de ser acionada até ao final deste mês.

Uma reunião por videoconferência entre o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e dirigentes europeus, incluindo a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vai realizar-se na segunda-feira para fazer um balanço e discutir potenciais soluções de compromisso.

O instituto nacional de estatísticas britânico (ONS) informou esta sexta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido contraiu 20,4% em abril, uma queda mensal recorde resultante da interrupção da atividade económica durante o período do confinamento iniciado a 23 de março.

Na quinta-feira, a presidente cessante da organização da Confederação da Indústria Britânica, Carolyn Fairbarn, disse à BBC que a ausência de um acordo pós-Brexit teria consequências desastrosas para as empresas britânicas devido à crise causada pela pandemia Covid-19.

“A resiliência das empresas britânicas está totalmente em farrapos. Cada cêntimo de dinheiro que estava de reserva, todas as provisões preparadas, foram esgotadas”, afirmou.