Comparar números de novos casos entre países europeus já não funciona como uma mera fórmula matemática como acontecia em abril ou maio e Espanha é um exemplo paradigmático disso mesmo porque os valores que têm vindo a ser apresentados acabam por resultar sobretudo do cruzamento de dados entre as quase 290 mil infeções desde o início da pandemia. No entanto, a situação é dada como controlada, o desconfinamento vai avançando e esta semana, por exemplo, houve cerca de 20 mortes registadas. As cautelas, essas, são muitas e mantêm-se.

Um regresso aos campos com o brilho de Ocampos e sem portugueses

A Liga espanhola regressou na noite desta quinta-feira com o dérbi da Andaluzia entre Sevilha e Betis. As cadeiras coloridas colocadas no primeiro anel do Sánchez Pizjuán e os sons tirados de vídeojogos ainda tentaram disfarçar a nova realidade para quem estava dentro e fora de campo mas nem mesmo os festejos virados para as bancadas dos jogadores da casa após o triunfo por 2-0 esconderam a ausência de público que marca este regresso do futebol no país. Aliás, Javier Tebas, presidente da Liga, deixou mesmo um sério aviso a clubes e atletas após mais uma infração das regras de confinamento, desta vez de Nelson Semedo – se não respeitarem, entram em estágio.

Em Sevilha foi assim, em Granada e em Valência também será esta sexta-feira à noite. No entanto, a cerca de 3.000 quilómetros, a realidade é bem diferente e a Sérvia teve o “primeiro” dérbi pós-pandemia.

Num país que desde 22 de maio que não regista mais do que 100 casos por dia (sendo que esta semana esse valor foi bem abaixo disso), as autoridades arriscaram e, depois de permitirem o futebol apenas à porta fechada na Liga local desde o final de maio, deram o passo em frente e abriram por completo as portas do estádio para o encontro mais esperado do ano: o dérbi eterno da Sérvia, entre Partizan e Estrela Vermelha, a contar para as meias-finais da Taça. Apesar das muitas recomendações de médicos e especialistas para que não houvesse já essa “normalidade total”, a medida avançou e por 90 minutos foi como se a pandemia fosse uma coisa do passado.

25 mil espetadores fizeram a festa no Estádio do Partizan, que só não teve casa cheia na totalidade devido às muitas centenas de cadeiras que são deixadas em branco para evitar aproximações entre claques rivais. E mesmo entre os excessos à mistura, como as dezenas e dezenas de tochas que foram abertas nos dois topos do recinto onde estavam concentrados os grupos organizados de adeptos, o jogo decorreu sem problemas (apesar de algumas tochas terem sido arremessadas para a zona do relvado, por exemplo), com o Partizan a vencer pela margem mínima o Estrela Vermelha com um golo de Bibras Natcho aos 58 minutos, mas continuam a existir dúvidas sobre a medida, adensadas pelas muitas imagens de grandes aglomerados sem máscaras, algo que já tinha sido colocado em causa quando o Estrela Vermelha ganhou o título e as ruas encheram-se de adeptos.