O presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, fez esta quinta-feira um balanço positivo do combate à Covid-19 no município, mas defendeu o reforço da coordenação regional e o aprofundamento do conhecimento das redes de contágio.

O município de Loures, no distrito de Lisboa, tem há um mês na rua equipas de técnicos municipais, da Saúde e da Segurança Social a intervir junto dos focos de infeção mais preocupantes. Este trabalho antecipou o anúncio das medidas restritivas em 19 freguesias de cinco concelhos (Lisboa, Loures, Odivelas, Amadora e Sintra) da Área Metropolitana de Lisboa (AML), que permanecem em estado de calamidade.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares (CDU), fez um balanço positivo do trabalho que está a ser desenvolvido para conter a pandemia, mas alertou para a necessidade de as equipas serem reforçadas.

A nossa abordagem revelou-se adequada e conseguimos uma maior proximidade com a população mais necessitada. Conseguimos disponibilizar muitos apoios alimentares e realizar alguns alojamentos de emergência”, referiu.

O autarca indicou que os últimos dados apontam para cerca de 550 casos ativos no concelho de Loures, mas ressalvou que se está a assistir a uma diminuição nas duas uniões de freguesia que estão a ter uma vigilância mais ativa.

“Aquilo que estamos a constatar é que os casos ativos estão a diminuir nessa zona e estão a existir casos mais dispersos. Vamos ver como é que a situação evolui, mas não podemos abrandar os esforços”, sublinhou.

Relativamente aos aspetos a melhorar, Bernardino Soares defendeu a necessidade de existir um reforço dos recursos humanos, nomeadamente das equipas de cuidados na comunidade e de saúde pública e ainda o aprofundamento do conhecimento da pandemia.

Tem de existir uma investigação mais profunda e estudar os casos ativos. Temos de saber onde trabalham, os contactos mais frequentes e como circulam. Isso dá-nos uma ideia mais precisa das redes de contágio”, apontou.

Nesse sentido, o autarca adiantou que existe a intenção de mobilizar, de forma voluntária, estudantes de medicina para produzir questionários com algumas perguntas chave.

Por outro lado, Bernardino Soares defendeu a necessidade de existir um reforço da coordenação a nível regional, uma vez que “nenhum município pode estar a trabalhar sozinho”. “Podemos estar a fazer um trabalho excelente, mas se os restantes parceiros não estiverem a fazer de pouco vale”, ressalvou.

No que diz respeito aos transportes públicos e à reposição em 90% da oferta anteriormente existente, o autarca de Loures disse que vai “avaliar a situação”, mas admitiu não acreditar que o problema fique resolvido.

Já antes a situação não era boa, por isso muito dificilmente ficará boa estando a 90%. Talvez fosse interessante o Governo não excluir a hipótese de avançar para uma requisição de bens e serviços”, defendeu.

A generalidade de Portugal Continental entrou na quarta-feira em situação de alerta devido à pandemia de Covid-19, com exceção da AML, que passou para o estado de contingência.

Dentro da AML, que é constituída por 18 municípios, 19 freguesias de cinco concelhos continuarão em estado de calamidade, já que, segundo disse o primeiro-ministro na semana passada, é onde se concentra agora “o foco de maior preocupação de novos casos [de infeção] registados”.

As 19 freguesias que vão permanecer em estado de calamidade são: Santa Clara (Lisboa), as quatro freguesias do município de Odivelas (Odivelas e as uniões de freguesias de Pontinha e Famões, Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, e Ramada e Caneças), as seis freguesias do concelho da Amadora (Alfragide, Águas Livres, Encosta do Sol, Mina de Água, Venteira e União de Freguesias de Falagueira e Venda Nova), seis freguesias de Sintra (uniões de freguesias de Queluz e Belas, Massamá e Monte Abraão, Cacém e São Marcos, Agualva e Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins e a freguesia de Rio de Mouro) e duas freguesias de Loures (uniões de freguesias de Sacavém e Prior Velho, e de Camarate, Unhos e Apelação).

Nestas freguesias foram impostas medidas especiais de confinamento, como o “dever cívico de recolhimento domiciliário”, ou seja, as pessoas só devem sair de casa para ir trabalhar, ir às compras, praticar desporto ou prestar auxílio a familiares.

Os ajuntamentos ficam limitados a cinco pessoas e estão proibidas as feiras e mercados de levante.