A equipa médica de um lar de idosos na Pensilvânia (EUA), onde morreram 42 residentes com Covid-19, distribuiu aos seus utentes, durante semanas, um cocktail de drogas que incluía hidroxicloroquina, substância cuja eficácia no combate à doença ainda não está provada. Mais: o “cocktail Covid” — como ficou conhecido entre os funcionários do Centro de Veteranos do Sudeste em Spring City, nos arredores de Filadélfia — foi administrado de forma preventiva a idosos que nem sequer tinham sido testados para o novo coronavírus.

A informação é revelada numa investigação do jornal Washington Post, que teve acesso a documentação e testemunhas que comprovam que a substância usada para combater a malária foi administrada a vários residentes no lar durante mais de duas semanas, ao longo do mês de abril de 2020.

O Departamento de Assuntos Militares e de Veteranos, responsável nacional pela gestão deste lar que funcionava como casa de repouso para antigos militares, estima que 30 idosos tenham sido medicados com hidroxicloroquina — mas membros da equipa de enfermagem do lar garantem que o número foi mais elevado. O médico legista do condado de Chester assegura que pelo menos 11 dos residentes do lar que receberam o cocktail não tinham feito nenhum teste para saber se estavam ou não infetados com o novo coronavírus.

William C. Hunter, antigo diretor do centro médico responsável pelo lar que se reformou em dezembro do ano passado, disse-se “completamente estupefacto” com a notícia. “Era um cocktail que não tinha sido testado. Os riscos e potenciais benefícios eram totalmente desconhecidos”, afirmou ao Washington Post.

O lar deixou de administrar hidroxicloroquina aos seus residentes a 22 de abril, como confirma um email interno obtido pelo jornal. A decisão surgiu na mesma semana em que foi conhecido um estudo que envolvia antigos militares infetados com Covid-19: uma das conclusões foi a de que a taxa de letalidade da doença era maior entre aqueles que foram tratados com hidroxicloroquina.