O concelho de Vila Pouca de Aguiar vai acolher um projeto-piloto que tem como objetivo integrar refugiados e imigrantes e dar resposta à falta de mão-de-obra na indústria de extração e transformação de granito.

Este é um projeto para recruta de mão-de-obra que não existe na nossa região. Estamos a tentar cativar pessoas que queiram trabalhar e que se queiram integrar na sociedade”, afirmou Mauro Gonçalves, presidente da Associação dos Industriais do Granito (AIGRA).

Para operacionalizar este “projeto-piloto” foi dado esta sexta-feira um “primeiro passo” com uma reunião de trabalho que juntou a AIGRA, o município de Vila Pouca de Aguiar, as secretárias de Estado para a Integração e as Migrações e a da Valorização do Interior e o Alto Comissariado para as Migrações.

Mauro Gonçalves salientou que o setor do granito está a “crescer há três anos”, e que, depois de “uma estagnação devido à pandemia”, está a retomar os números de antes da Covid-19.

Essa mão-de-obra vem ajudar ao desenvolvimento das empresas”, frisou.

O responsável especificou que projeto está direcionado para “30 famílias”, perspetivando-se a vinda de cerca de “100 pessoas” para o concelho.

Mas, numa primeira fase, segundo Mauro Gonçalves, poderão chegar a Vila Pouca de Aguiar, no último trimestre deste ano, “seis famílias” de refugiados que estão a viver no Egito e na Turquia e são originários, maioritariamente, da Síria e Iraque. Mas também, referiu, poderão vir da Venezuela.

As secretárias de Estado foram esta sexta-feira ao terreno visitar a pedreira da empresa Oliveira Rodrigues, em Pedras Salgadas.

À margem da visita, a secretária de Estado para a Integração e as Migrações, Cláudia Pereira, disse que está a ser desenvolvida uma “estratégia integrada” e especificou que está a ser trabalhado um “pacote de incentivos para a inserção” das famílias, que passa, para além da oportunidade de emprego, pela integração das crianças nas escolas, nas atividades de tempos livres e formação profissional para os cônjuges.

A Secretaria de Estado, através do Alto Comissariado para as Migrações, vai ajudar a fazer a articulação entre os imigrantes ou refugiados, que demonstrem vontade neste tipo de trabalho, o município e as empresas.

As pessoas que se estão a mostrar interessadas estamos a fazer a articulação com a autarquia numa perspetiva integrada, com aprendizagem da língua portuguesa, com inserção de crianças nas escolas para ser realmente integração e fazerem parte da sociedade e fixarem-se de forma permanente”, salientou Cláudia Pereira.

O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado, acrescentou que a autarquia “vai fazer a ponte” entre os industriais do granito e as “possibilidades de acolhimento de refugiados”, com a parceria do Governo.

É óbvio que todas as pessoas que acolhermos temos que acolher de uma forma de dignificação da pessoa humana e, por isso, temos o Alto Comissariado aqui presente para acordarmos todos os termos para que o possamos fazer com essa dignidade”, frisou.

Por sua vez, a secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, destacou a diversidade de programas que estão em curso para apoio à contração, nomeadamente para os territórios do Interior, e que podem ser “para cidadãos portugueses, mas também para imigrantes e refugiados”.

Este trabalho em articulação com minha colega de Governo é muito importante para que se possa ter realmente uma solução integrada quer do ponto de vista da disponibilização de mão de obra, quer da integração social destas pessoas que são muito importantes para resolver a questão do desafio demográfico em Portugal”, salientou a governante.

O presidente da AIGRA disse creditar que, “no futuro, outros concelhos e também outros setores da economia aproveitarão esta ideia e aproveitarão estas pessoas para também eles crescerem”.

Mauro Gonçalves disse que a nível do distrito de Vila Real há cerca de 800 pessoas a trabalhar no setor do granito, dispersas por 62 empresas ligadas à industria extrativa e transformadora.

A faturação anual é de “50 milhões de euros anuais”, dos quais 50% são referentes à exportações.