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O V. Setúbal e o Desp. Aves foram despromovidos ao Campeonato de Portugal, terceiro escalão do futebol nacional, após terem reprovado na apresentação dos requisitos legais de licenciamento nas provas profissionais. No caso dos sadinos, segundo apurou o Observador, o clube vai apresentar recurso para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol até sexta-feira, o que fará com que a decisão fique para já suspensa.

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De acordo com informações que já tinham sido recolhidas pelo Observador esta terça-feira, em relação à realidade do V. Setúbal, o clube esteve a fazer um último esforço com sócios e outros agentes para encontrarem uma forma de contornarem o problema mas o mesmo acabou por não ser suficiente, o que levou a Liga a tomar esta decisão que, embora possa ser suspensa e posteriormente contornada, coloca o Portimonense no primeiro escalão.

Ainda assim, os responsáveis sadinos estiveram sempre a preparar em simultâneo a temporada de 2020/21 na Primeira Liga, a começar pelo treinador – Lito Vidigal, que fez os últimos quatro encontros da época que agora acabou em vez de Júlio Velázquez, estaria de saída, havendo mais uma vez o desejo de poder levar para o Bonfim Renato Paiva, treinador da equipa B do Benfica que já em 2019/20 tinha sido sondado pelo conjunto sadino.

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De acordo com o comunicado da Liga de Clubes, o V. Setúbal falhou em três pressupostos: inexistência de dívidas a Sociedades Desportivas, inexistência de dívidas a jogadores, treinadores e funcionários e regularidade da situação contributiva perante a Autoridade Tributária. De referir que, no início de junho, Paulo Gomes, presidente do clube e da SAD dos sadinos, tinha anunciado a conclusão de um PER para liquidar dívidas num montante total de 25 milhões de euros, plano aprovado por 99,98% com a participação de 74,65% dos credores.

Em relação ao Desp. Aves, esta decisão acaba por ser apenas um prolongamento de tudo o que tem acontecido nas últimas semanas: com mais de três meses de salários em atraso, vários jogadores a rescindirem, bens arrestados em função de uma dívida a propósito do centro de estágios de Santo Tirso, a SAD avense ainda tentou avançar com um PER para tentar reorganizar o pagamento a mais de 30 credores através de um programa especial mas esse pedido nunca conseguiria ser feito a tempo, pelo que a despromoção era uma questão de tempo. Desta forma, Cova da Piedade e Casa Pia, que tinham descido ao terceiro escalão, podem manter-se na Segunda Liga.

[Ouça aqui a entrevista do presidente do Desp. Aves, António Freitas, à Rádio Observador]

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Também de acordo com o mesmo comunicado da Liga de Clubes, os avenses falharam em 16 pontos entre todos os requisitos, da parte legal (estrutura societária ou transparência) à financeira (orçamento, entrega das contas, inexistência de dívidas a Sociedades Desportivas, inexistência de dívidas a atletas, treinadores e funcionários, caução, identificação dos Gestores Executivos ou demonstrações financeiras).

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