Váris centenas de pessoas estão a manifestar-se na tarde deste sábado em diversas cidades portuguesas, num conjunto de protestos contra o racismo e de homenagem ao ator Bruno Candé, morto a tiro em Moscavide, Lisboa, no sábado passado.

É o segundo dia consecutivo de protestos, este sábado em Aveiro, Braga, Évora, Guimarães, Porto, Viseu e Faro, depois de na sexta-feira se terem realizado manifestações em Beja, Coimbra e Lisboa

Grande parte destes protestos são organizados por associações antifascistas, designadamente a Frente Unitária Antifascistas, que promoveu a organização das manifestações através das redes sociais, em colaboração com organizações locais.

Imagens que têm vindo a ser partilhadas nas redes sociais ao longo da tarde dão conta da concentração de várias dezenas de pessoas em protestos em lugares centrais de várias cidades, sobretudo na Avenida dos Aliados, no Porto. Ali, mais de 200 pessoas fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao ator.

“Este vai ser um espaço em que nós vamos unir forças porque estamos desgastados, estamos cansados e isto [o assassinato de Bruni Candé] surpreendeu todas as pessoas. Nós vamos tentar unir forças, partilhar aquilo que é a nossa história, as nossas vivências e o nosso ponto de vista relativamente a tudo isto. Vai ser um espaço de cura, porque é isso que nós precisamos”, declarou à agência Lusa a organizadora da manifestação em homenagem a Bruno Candé e ativista Navvab Aly Danso, 23 anos, estudante de mestrado de Estudos Africanos na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Todos os manifestantes usavam máscaras e colocavam-se em circulo com os cuidados para efetivar o mínimo de distanciamento social recomendado pelas autoridades.

“Pelo fim da opressão sistémica”, “O racismo mata. Negar o racismo é racismo”, “Não é só nos EUA. Black lives mater”, “Eu não sou racista, mas…” ou “O Bruno Candé tem três filhos. Vamos construir um Portugal mais justo para eles” eram algumas das frases escritas nos cartazes que os manifestantes pacifistas traziam nas mãos para participar na ação de protesto.

A Maria Luís, 19 anos e futura estudante universitária que acabou de entrar Microbiologia na Universidade Católica, explicou à Lusa que decidiu participar nesta manifestação porque “é a coisa certa a fazer”.

“Nós temos todos uma parte a lutar pela justiça e eu quero fazer a minha parte e protestar é uma dessas coisas que eu posso fazer”, disse, considerando que em Portugal “há racismo sim senhora” e que “é uma realidade que as pessoas têm vindo a ignorar e cada vez mais está a ser exposta com a ajuda das redes sociais”.

Bruno Candé iniciou o seu percurso no grupo de teatro da Casa Pia, ainda na adolescência, tendo posteriormente frequentado o curso de formação teatral do Chapitô, onde chegou em 1995 e participou em vários espetáculos, dirigidos pelo encenador Bruno Schiappa.

O suspeito do homicídio vai aguardar julgamento em prisão preventiva.

Para o SOS Racismo, o caso da morte de Bruno Candé Marques, cidadão português negro, ter sido “assassinado com quatro tiros à queima roupa em Moscavide é “um crime com motivações de ódio racial”, refere um comunicado divulgado a 25 de julho.

Na sexta-feira, a principal homenagem a Bruno Candé ocorreu em Lisboa, junto ao Teatro Nacional D. Maria II, onde foi pendurada uma grande fotografia do ator assassinado.

O anúncio dos dois dias de manifestações em várias cidades do país foi seguido pelo anúncio de uma “contramanifestação”, organizada pelo Chega, para afirmar que “Portugal não é racista”.

“Esta vai ser uma manifestação para cumprir o que prometemos: sempre que a esquerda sair à rua para dizer que Portugal é um país racista, nós sairemos à rua com o dobro da força para mostrar que Portugal não é racista”, disse o líder do partido, André Ventura, esta semana.