A gigante tecnológica Alphabet (casa mãe da Google) afirma que apagou mais de 2.500 canais de YouTube entre abril e junho deste ano, plataforma da qual é detentora, ligados à China, que estavam a propagar desinformação, segundo o The Guardian. A medida faz parte da “investigação que está a decorrer sobre as operações de influência coordenadas ligadas à China”.

De acordo com a informação que foi disponibilizada pela Google, os canais que foram apagados partilhavam “conteúdo de spam e não político”, apesar de haver uma pequena categoria que tocava em temas políticos. Não foram revelados mais detalhes e os canais não foram identificados. Sabe-se apenas que estes vídeos estavam relacionados com outra atividade semelhante detetada pelo Twitter e a uma campanha de desinformação que foi identificada em abril.

A notícia surge numa altura em que a tensão geopolítica entre os EUA e a China ganhou outros contornos, depois de Trump ameaçar banir a app chinesa de vídeos TikTok e de a Microsoft ter anunciado que está a negociar a compra das operações do TikTok nos EUA, Austrália, Canadá e Nova Zelândia. Este negócio terá de ficar concluído até 15 de setembro, caso os utilizadores americanos queiram continuar a ter acesso a ela, ameaçou Trump.

TikTok deve ser vendida até 15 de setembro para continuar nos EUA, disse Donald Trump

Em junho, a rede social Twitter anunciou que baniu dezenas de milhares de contas envolvidas em ações de propaganda, e controladas pela China, Rússia e Turquia. Foram cerca de 24 mil as contas com ligações à China que foram eliminadas, que geravam mensagens que eram depois disseminadas por outras 150 mil contas. Ou seja, serviam como “amplificadores” destas ações de propaganda.

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Na semana passada, Sundar Pichai, presidente da Alphabet, esteve durante mais de 5 horas a ser ouvido no Congresso norte-americo, juntamente com os líderes de outras três “big tech”: o Facebook (Mark Zuckerberg), Amazon (Jeff Bezos) e Tim Cook (Apple). Os líderes destas tecnológicas foram ouvidos numa âmnito de uma investigação que está em curso desde junho de 2019. Em causa estão eventuais abusos de posição dominante nos mercados em que operam.

Das comparações à heroína às ameaças de Zuckerberg. Os dedos que o Congresso apontou às “big tech”