A Associação S.O.S Rio Paiva apelou este sábado ao Ministério do Ambiente para que investigue a origem de descargas poluentes naquele rio, registadas este mês, no concelho de Castro Daire, distrito de Viseu.

Numa carta enviada ao ministro do Ambiente e Transição Climática, a que a agência Lusa teve acesso, a associação denuncia descargas poluentes no Rio Paiva no município de Castro Daire, “que ocorrem com frequência, praticamente todas as manhãs deste mês de agosto e com origem incerta, a montante da localidade de Reriz”.

“Segundo os testemunhos da população que reside nesta zona do Rio Paiva, estas descargas são efetuadas todos os dias de manhã cedo, desconhecendo-se a sua origem”, lê-se no texto, que recorda o facto do rio já ter sido classificado como um dos mais limpos da Europa.

De acordo com a Associação S.O.S Rio Paiva, “desde há mais de uma dezena de anos que a nossa organização tem vindo a alertar para a ocorrência de descargas poluentes na bacia do Rio Paiva, grande parte delas com origem no mau funcionamento das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Vila Nova de Paiva e de Castro Daire”.

“Infelizmente, e apesar de dezenas de denúncias efetuadas, dos esforços e constantes apelos à intervenção das autoridades para colocar um fim a este flagelo, a verdade é que o Rio Paiva continua a ser alvo de grandes descargas poluentes sem que ninguém ponha cobro a estes crimes e sem que as autoridades respondam às denúncias efetuadas”, refere a carta.

A associação apela ao ministério do Ambiente para que investigue a origem de descargas poluentes e garanta o bom funcionamento das ETAR, cujos “locais de descarga ficam em zonas escondidas de muito difícil acesso”.

“Uma simples visita a esses locais é esclarecedor em relação à forma como os esgotos são descarregados no rio e afluentes praticamente sem qualquer tratamento”, enfatiza o documento, que realça também a urgência de se apurar a existência “de outro tipo de descargas criminosas”.

Para a Associação S.O.S Rio Paiva, além da biodiversidade do local, que se insere na Rede Natura, “é a saúde pública que está em risco numa altura em que o rio é procurado por milhares de pessoas para a prática balnear”.

Além do ministro do Ambiente e Ação Climática, a carta seguiu para os presidentes das câmaras de Castro Daire e Arouca, do Instituo das Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).