O ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, recusa-se a antecipar a decisão se Portugal se mantém ou abandona o corredor aéreo britânico, mas alerta que são precisas “decisões rápidas” quando um país aumenta o número de casos. A decisão vai ser comunicada esta sexta-feira, por “volta da hora de almoço”.

“Estamos preparados para tomar decisões de colocar países individuais de volta na lista da quarentena se for necessário, e mantemos isso em avaliação constante”, disse Hancock em entrevista à Sky News, esta quinta-feira.

O governante avisa os britânicos de que “devem olhar para os números e apenas viajarem se estiverem preparados para ficar em quarentena”, caso o contágio do vírus suba no país de destino.

O aumento do número de casos de infeção em Portugal na última semana terá ultrapassado os 20 casos por 100.000 habitantes — um dos critérios usados por Londres, de acordo com a imprensa britânica, para impor restrições sobre as viagens internacionais.

A própria ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido, reconheceu na quarta-feira que os casos de Covid-19 estão a aumentar em Portugal e que existe um maior risco de transmissão da doença.

Embaixador britânico alerta a quem viajar para Portugal para estar “conformado” com possibilidade de ter de fazer quarentena no regresso

Portugal só foi incluído na lista dos países seguros e portanto com “corredores de viagem” com o Reino Unido há duas semanas, a 20 de agosto, apesar da pressão do Governo português e do setor do turismo.

Se Portugal sair da lista de países no corredor aéreo, os ingleses que visitem o país terão de cumprir uma quarentena de 14 dias quando regressarem ao país.

O embaixador do Reino Unido em Portugal, Chris Sainty, já tinha deixado claro na semana passada que a classificação de Portugal como seguro para viagens no contexto da pandemia poderia “mudar a num instante”. Aconselhou, por isso, os britânicos para apenas viajarem se estiverem “conformados com a obrigação inesperada de quarentena” aquando do regresso ao país.

A lista de “corredores de viagem” tem atualmente menos de 70 países e territórios, tendo sido excluídos desde julho Croácia, Áustria e a ilha de Trinidade e Tobago, França, Países Baixos, Mónaco, Malta, as ilhas Turcas e Caicos e Aruba, Bélgica, Andorra, Bahamas, Espanha e Luxemburgo.

Nas semanas anteriores, foram adicionados Estónia, Letónia, Eslováquia, Eslovénia, o arquipélago de São Vicente e Grenadinas, Brunei e Malásia.

De acordo com a imprensa britânica, além de Portugal, também a Grécia está em risco de ser adicionada à lista de países com necessidade de cumprir quarentena no resto do Reino Unido, seguindo a decisão tomada pela Escócia esta semana e em vigor desde esta quinta-feira.