Para os construtores franceses, as 24 Horas de Le Mans são da maior importância. Uma vitória nesta maratona disputada no circuito francês de La Sarthe bate, em retorno e em reputação, o título de campeão do mundo no campeonato de resistência da FIA. Daí que a Peugeot, que já venceu em 1992, 1993 e 2009, deseje voltar a saborear o triunfo, agora com os novos carros previstos para 2022, os Le Mans Hypercar (LMH), com maior liberdade aerodinâmica, motores eléctricos à frente e motor de combustão atrás, para conseguir um cocktail rápido e generoso na potência, mas contido no consumo.

A Peugeot vai ter de enfrentar a Toyota, a Glickenhaus e a ByKolles, entre outros fabricantes que ainda se queiram juntar à festa, sendo que outros construtores preferem continuar a apostar nos Le Mans Prototypes 1 (LMP1), a classe mais competitiva e que tem vencido as últimas edições da prova. É este o caso da Alpine, que a Renault promoveu do LMP2 para LMP1, e até da Toyota, que parece querer ter a certeza que os LMH serão os carros mais rápidos em prova.

A razão que leva a Peugeot a regressar a Le Mans e a enveredar pelos LMH é a semelhança que existe entre esta classe e os veículos híbridos plug-in que a marca francesa comercializa. De acordo com o construtor, o Hypercar da Peugeot deverá ser capaz de extrair 270 cv do motor montado no eixo da frente, para depois os restantes 400 cv serem assegurados pelo motor de combustão associado ao eixo posterior, perfazendo um total de 670 cv. Os LMH (cerca de 5 metros) serão mais compridos e mais largos do que os LMP1, com uma aerodinâmica mais apurada, que pode tornar o carro mais rápido e eficaz, mas vai encarecer o custo de cada projecto, sem que isso melhore a qualidade da competição ou da emoção.

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Mas se na Peugeot só se pensa em 2022, o presidente do conselho de administração da PSA, o português Carlos Tavares, vai mostrar serviço já em 2020. Tavares, que além da Peugeot é responsável pela Citroën, DS e Opel, vai estar presente na linha de partida ao volante de um Peugeot 908 similar ao que venceu em 2009. O CEO da PSA vai dar uma volta à pista antes de a prova começar, num gesto de agradecimento aos organizadores e aos fãs da competição pela dedicação e pela coragem de montar uma prova como esta em tempo de pandemia.