A Comissão Europeia esclareceu esta sexta-feira que a missão diplomática enviada pela União Europeia (UE) à Venezuela para avaliar se há condições mínimas para a realização de eleições legislativas democráticas na Venezuela “não é clandestina”.

“Não é uma missão clandestina”, sublinhou uma porta-voz do executivo comunitário para as Relações Externas Nabila Massrali, na conferência de imprensa diária, esclarecendo que os Estados-membros foram informados da missão de quatro peritos, que viajou na quinta-feira para Caracas.

A porta-voz respondia a questões de jornalistas sobre um alegado “secretismo” em volta do envio dos diplomatas, que estarão em Caracas até segunda-feira.

A missão, adiantou ainda, inclui-se nos esforços diplomáticos desenvolvidos pela UE para tentar garantir as condições mínimas para a realização das eleições, sendo que nas circunstâncias atuais, não é possível reconhecer as eleições de 6 de dezembro como legítimas.

Nabila Massrali salientou ainda que é consensual entre os 27 Estados-membros a falta de condições para a deslocação de uma missão de observação eleitoral no país.

A UE tem tentado negociar com o regime de Nicolás Maduro e a oposição uma transição democrática na Venezuela, integrando-se a missão nestes esforços diplomáticos.

O envio dos diplomatas surge após uma reunião do Grupo Internacional de Contacto para a Venezuela, formado por países da UE e da América Latina e que decorreu em 17 de setembro por videoconferência.

Acontece também depois da reunião do conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros e da determinação dada pelo Alto-Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell.

A UE realçou que, apesar do seu interesse em enviar uma missão tendo em vista as eleições, não estão reunidas as condições para que estas decorram no prazo previsto, em 6 de dezembro.

Um eventual adiamento não é visto como uma impossibilidade para que estas decorram, mas como uma oportunidade para ganhar tempo de forma a melhorar as condições.

As preocupações devido à pandemia de Covid-19 estão também na mente do organismo europeu, visto que as previsões apontam o pico de infeções na Venezuela em dezembro.

Esta missão diplomática da UE é anunciada depois do relatório apresentado na quarta-feira ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, onde foram denunciadas condenações extrajudiciais, detenções arbitrárias, tortura e outros abusos por parte das autoridades venezuelanas.