Vão sair da estrutura do Montepio “entre 600 e 900” pessoas – é este o “intervalo máximo indicativo” que é estimado pela gestão do banco. A informação está numa carta conjunta assinada por Carlos Tavares (chairman) e Pedro Leitão (presidente executivo) que foi enviada aos colaboradores esta sexta-feira, cerca de 24 horas depois de o Observador noticiar que tinham sido enviados planos ao Banco de Portugal no sentido da redução estimada de 804 colaboradores.

Os dois responsáveis garantem que “não existem listas de pré-seleccionados” e que se “pretendendo um processo esclarecido e transparente, baseado no acordo entre as partes”. “Este programa será apresentado formalmente a todos os colaboradores no dia 6 de outubro estando actualmente em fase de consulta com os parceiros sociais e estruturas representativas dos trabalhadores”, acrescenta o documento.

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Fatores como as “mudanças sensíveis” no “modelo de negócio bancário” nos últimos anos e a “emergência de novos atores na indústria” aliaram-se aos efeitos da pandemia Covid-19, justifica a empresa. “Este contexto tornou mais urgente o processo de ajustamento no Banco Montepio”, dizem os responsáveis.

Tendo em conta as circunstâncias actuais e incertezas futuras, bem conhecidas de todos e os desafios que se colocam ao banco, ao sector e ao país, a Administração entendeu necessário ajustar objectivos e medidas já previstos no Plano de Transformação com a adopção de um programa de ajustamento multi-dimensional e plurianual. O objectivo é claro: um Banco Montepio eficiente, rentável ao serviço de Portugal. Desta forma, pretendemos ajustar a nossa operativa e modelo de serviço aos clientes, aproximar os rácios de eficiência do Banco Montepio aos do sector bancário português, simplificar a estrutura do Grupo e racionalizar a Oferta.”

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O plano prevê, como foi noticiado pelo Observador a 17 de julho, “reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo, bem como medidas de flexibilização laboral para acomodar novas formas de trabalho (trabalho parcial, trabalho remoto entre outras alternativas), medidas de promoção de formação e reinserção no mercado de trabalho e de eventuais iniciativas empresariais autónomas por parte dos colaboradores que pretendam enveredar por esse caminho”. “Este programa desenrolar-se-á num quadro plurianual e num ambiente de respeito pelas pessoas que trabalham na Instituição”, diz o Banco Montepio.

Com base nos cenários analisados e nesse quadro plurianual, estima-se um intervalo máximo indicativo de redução de pessoas entre 600 a 900, tendo para o efeito sido requerida junto das entidades competentes a possibilidade de alargamento de quota para subsidio de desemprego, com o intuito de facultar protecção acrescida em situações de saída, facto que já foi partilhado com as estruturas representativas dos trabalhadores.”

“Os tempos que vivemos são desafiantes e incertos. A Administração manifesta a sua determinação em, conjuntamente com colaboradores, accionistas e clientes, promover as mudanças e alterações necessárias para que o Banco Montepio se reforce como uma instituição mais ágil, eficiente e sustentável. Só neste espírito poderemos continuar a ter um Banco Montepio independente e ao serviço das famílias, empresas e instituições da economia social portuguesas transportando consigo o orgulho legítimo de quem, ao longo de quase 200 anos, nunca falhou a Portugal”, conclui o comunicado.

Alta tensão na cúpula do Banco Montepio sobre o plano de corte de pessoal

Leia a carta na íntegra:

“Caros colegas,
 
Vivemos tempos complexos marcados pela incerteza e pela aceleração de alterações na forma como convivemos e como trabalhamos. O modelo de negócio bancário, ao longo dos últimos anos, tem vindo a sofrer mudanças sensíveis com o impacto da tecnologia no comportamento dos clientes e com a emergência de novos actores na indústria que colocam enorme pressão sobre as instituições bancárias para a mudança.

Estas evoluções estruturais foram obviamente aceleradas pelos efeitos da pandemia COVID-19. O contexto macro-económico mais pessimista tem um efeito imediato no nível de imparidades que os bancos têm de registar. As moratórias, medida justa e destinada a aliviar o esforço financeiro de famílias e empresas, implicam uma dificuldade acrescida na rotação de capital e na capacidade de os bancos financiarem a actividade económica. Este contexto tornou mais urgente o processo de ajustamento no Banco Montepio.

Somos um banco com quase 200 anos de história, a marca mais antiga do sistema bancário português e soubemos, em cada momento, procurar adaptar-nos por forma a servir o país e as famílias portuguesas. Com o respeito pelas nossas raízes mutualistas e dado o importante legado que nos está confiado, temos a obrigação de garantir que o banco estará preparado para um futuro independente e sustentável.

Tendo em conta as circunstâncias actuais e incertezas futuras, bem conhecidas de todos e os desafios que se colocam ao banco, ao sector e ao país, a Administração entendeu necessário ajustar objectivos e medidas já previstos no Plano de Transformação com a adopção de um programa de ajustamento multi-dimensional e plurianual. O objectivo é claro: um Banco Montepio eficiente, rentável ao serviço de Portugal.

Desta forma, pretendemos ajustar a nossa operativa e modelo de serviço aos clientes, aproximar os rácios de eficiência do Banco Montepio aos do sector bancário português, simplificar a estrutura do Grupo e racionalizar a Oferta.

No que diz respeito ao ajustamento operacional, pretendemos acelerar a transição digital, convergindo para as melhores práticas nesta matéria, tanto na experiência do cliente, como na eficiência operacional. Por forma a optimizar o mix de distribuição, foi decidido o encerramento de 37 balcões redundantes geograficamente e estão em análise cerca de 40 balcões, segundo critérios de relevância geográfica, rentabilidade e dimensões do mercado.

Pretende-se reajustar o quadro de pessoal através do lançamento de um programa destinado a criar oportunidades para os colaboradores que entendam sair da Instituição e oportunidades de carreira profissional interna recompensadora e motivadora para os colaboradores que queiram manter-se no Banco Montepio.

Desta forma, estarão contempladas reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo, bem como medidas de flexibilização laboral para acomodar novas formas de trabalho (trabalho parcial, trabalho remoto entre outras alternativas), medidas de promoção de formação e reinserção no mercado de trabalho e de eventuais iniciativas empresariais autónomas por parte dos colaboradores que pretendam enveredar por esse caminho. Este programa desenrolar-se-á num quadro plurianual e num ambiente de respeito pelas pessoas que trabalham na Instituição.

Com base nos cenários analisados e nesse quadro plurianual, estima-se um intervalo máximo indicativo de redução de pessoas entre 600 a 900, tendo para o efeito sido requerida junto das entidades competentes a possibilidade de alargamento de quota para subsidio de desemprego, com o intuito de facultar protecção acrescida em situações de saída, facto que já foi partilhado com as estruturas representativas dos trabalhadores.

Não existem listas de pré-seleccionados, pretendendo-se um processo esclarecido e transparente, baseado no acordo entre as partes. Este programa será apresentado formalmente a todos os colaboradores no dia 6 de Outubro estando actualmente em fase de consulta com os parceiros sociais e estruturas representativas dos trabalhadores.

Por último, o plano de ajustamento tem como objectivo a simplificação do grupo eliminando redundâncias. É também uma prioridade a modernização e racionalização do normativo interno para que este se torne mais fácil de usar e seja um instrumento que dê segurança e agilidade às nossas equipas comerciais e dos serviços centrais.

Os últimos dias têm sido pródigos em ruído comunicacional que em nada favorece o conteúdo do trabalho sereno e construtivo que a Administração pretende continuar a desenvolver em estreita colaboração com todos os trabalhadores e as suas estruturas representativas.

Os tempos que vivemos são desafiantes e incertos. A Administração manifesta a sua determinação em, conjuntamente com colaboradores, accionistas e clientes, promover as mudanças e alterações necessárias para que o Banco Montepio se reforce como uma instituição mais ágil, eficiente e sustentável. Só neste espírito poderemos continuar a ter um Banco Montepio independente e ao serviço das famílias, empresas e instituições da economia social portuguesas transportando consigo o orgulho legítimo de quem, ao longo de quase 200 anos, nunca falhou a Portugal.”