Fortes chuvas seguidas de inundações repentinas no sudeste da França e no noroeste da Itália causaram este sábado a morte a um bombeiro italiano, tendo as autoridades dos dois países dado conta de pelo menos 25 desaparecidos.

Os estragos são graves nos dois lados da fronteira, com várias aldeias isoladas, devastadas pela água e pelo desmoronamento de terra, com estradas e pontes danificadas ou destruídas, tendo sido mobilizados centenas de bombeiros, especialmente em Col de Tende que liga os Alpes da Ligúria, no norte de Itália, ao departamento francês dos Alpes Marítimos.

Em Itália, um bombeiro voluntário, de 53 anos, morreu durante uma intervenção no Vale de Aosta e pelo menos 17 pessoas estão dadas como desaparecidas na região do Piemonte.

Em comunicado as autoridades referem-se a uma situação “extremamente crítica”.

Em França, nos Alpes Marítimos, os serviços de emergência anunciaram que há 10 desaparecidos, incluindo dois bombeiros.

As equipes de resgate francesas procuram 10 “prováveis desaparecidos”.

“São pessoas que não vimos serem levadas (pelas correntes de águas), mas não temos notícias suas”, segundo os bombeiros franceses, citados pela AFP.

Um polícia foi levado pelas águas na sexta-feira, mas já foi encontrado são e salvo.

Do lado italiano, 16 pessoas estão desaparecidas em Cuneo, no Piemonte, e um homem está desaparecido depois que o seu veículo caiu no rio Sesia, segundo um comunicado à imprensa.

“A situação é dramática. 150 bombeiros trabalham desde sexta-feira à noite na encosta do Tende, que estamos a tentar alcançar de comboio, porque a estrada está fechada”, disse o comandante dos bombeiros de Cuneo, Vincenzo Bennardo, citado pela agência noticiosa italiana Ansa.

Segundo o bombeiro, procuram um grupo de italianos de quatro a seis pessoas, desaparecido no vale de Roya, próximo ao desfiladeiro de Tende.

O vale de Roya, entre a França e a Itália, está isolado.

Neste departamento, no sul de França, encontram-se os municípios mais afetados, designadamente Nice e nos vales de Vésubie e Tinée, na zona montanhosa dos Alpes.

“Muitas estradas foram cortadas, secções de estradas desabaram. De repente, aldeias como Saint-Martin-Vésubie ou Roquebillière ficaram isoladas. Também vemos algumas casas danificadas pois as águas dos rios ultrapassaram as margens”, disse um porta-voz dos bombeiros franceses.

Em Roquebillière, a 52 quilómetros a norte de Nice, “o rio Vésubie transbordou o leito (…) Tudo foi levado pela água, parte da velha ponte de ferro também foi levada pelas águas e o parque de campismo”, disse à AFP Serge Franco, de 60 anos.

“Estamos todos surpreendidos”, rematou.

Dois idosos foram levados pela água quando a sua casa em Roquebillière, desabou.

“Os bombeiros não tinham cordas suficientemente compridas. A casa foi envolvida de repente pelas águas”, disse Patrick Theus, que testemunhou o acidente.

A rede telefónica está muito fraca e as comunicações difíceis, noticiou a AFP.

Em França, 12.000 pessoas ficaram sem eletricidade, assim como muitas aldeias da região italiana do Piemonte.

Na Itália, em Ventimiglia, o rio Roya galgou as margens, disse o prefeito Gaetano Scullino, segundo o qual, “desde 1958 não acontecia um desastre desse tipo, quando o rio derrubou uma estrutura que o atravessava”.

As enchentes devastaram a parte oeste da cidade.

“Perdemos todas as máquinas e os ‘stocks’. Quando entrei, as câmaras frigoríficas estavam a flutuar”, lamentou Ramon Bruno, proprietário de uma fábrica de massas, em declarações à agência noticiosa italiana Ansa.

“A violência da água foi tal que levantou o chão”, disse o proprietário de um restaurante, Giorgio Muratore.

Na região italiana da Ligúria, as chuvas e o vento também atingiram o olival.

Os agricultores relataram danos significativos aos olivais, numa altura em que se aproximam as colheitas.