Cerca de 90% dos empresários consideram prioritário que o próximo Orçamento do Estado inclua alterações ao IRS, designadamente por via do aumento das deduções à coleta ou de mudanças na retenção na fonte. Esta é uma das principais conclusões de um inquérito feito pela EY cujos resultados foram esta quinta-feira noticiados pelo Expresso e pelo Dinheiro Vivo. Seria algo capaz de “induzir mais consumo que é tão necessário para a nossa recuperação económica”, diz um dos responsáveis pelo estudo que contactou 67 empresas nacionais.

Entre os inquiridos, 64% dizem que seria uma boa ideia aumentar os limites às deduções à coleta. Por outro lado, 58% recomendam a atualização das tabelas de retenção de IRS (conhecidas, normalmente, no início do novo ano) para aumentar o rendimento líquido mensal das famílias em 2021, já que “será expectável uma diminuição do rendimento médio coletável em 2020 e no próximo ano”. Mas outros empresários querem que se vá mais longe: uma mexida mais profunda no IRS, com a criação de mais escalões (46% dos inquiridos), aumentando a progressividade do imposto e reduzindo a carga fiscal.

Para as empresas, por seu turno, os empresários elegem como medida mais benéfica a eliminação do limite para a dedução de prejuízos nos impostos a pagar – 64% concordam com esta medida que teria “o mérito de permitir que o impacto líquido na receita fiscal apenas se reflita para lá do normal período de reporte de prejuízos de cinco anos (quando, previsivelmente, a economia já não estará sujeita aos efeitos da pandemia)”, diz a EY.

Também é uma visão maioritária, por seu lado, o pedido de uma redução temporária do IRC e da derrama estadual, de forma a dar um impulso às empresas e reduzir a necessidade de eliminação de postos de trabalho.

Fecharam menos empresas no ano da pandemia, mas também há menos a nascer. E “o inverno vem aí”