A economia portuguesa apresentou no final do segundo trimestre de 2020, uma capacidade de financiamento de 0,8% do PIB, segundo dados esta quinta-feira divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).

Este resultado reflete a capacidade de financiamento dos particulares e das sociedades financeiras (respetivamente de 4% e 1,9% do PIB), a qual excedeu a necessidade de financiamento das sociedades não financeiras e das administrações públicas (respetivamente de -3,3% e -1,9% do PIB)”.

Em comparação com os fluxos apurados para o ano acabado no segundo trimestre de 2019, é referido o incremento na capacidade de financiamento dos particulares (2,5 pontos percentuais) e a redução nos setores das administrações públicas (-1,9 pontos percentuais), das sociedades financeiras (-0,5 pontos percentuais) e das sociedades não financeiras (-0,2 pontos percentuais).

No ano acabado no segundo trimestre de 2020, o BdP destaca que os particulares foram o maior financiador das sociedades financeiras, em 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), as quais, por sua vez, financiaram as administrações públicas e o resto do mundo (em 4,6% e 3,3% do PIB, respetivamente).

As administrações públicas, apesar de apresentarem necessidades de financiamento, financiaram as sociedades não financeiras, o resto do mundo e os particulares (em 1,4%, 0,9% e 0,6% do PIB).

O resto do mundo financiou, sobretudo, as sociedades não financeiras (em 3,3% do PIB), embora tenha tido necessidades de financiamento.

Em comparação com o período homólogo, o BdP destaca ainda que o financiamento líquido das sociedades financeiras às administrações públicas aumentou (+3,9 pontos percentuais), o que contribuiu para fazer face à sua necessidade de financiamento.

As sociedades não financeiras apresentaram alterações no sentido dos fluxos de financiamento líquido, passando a ser financiadas pelos particulares e financiadoras das sociedades financeiras.

No que respeita às posições em fim de período, os particulares evidenciaram um aumento dos ativos financeiros líquidos de 6,4 pontos percentuais do PIB face ao trimestre homólogo, ao contrário das sociedades não financeiras que registaram uma diminuição dos ativos financeiros líquidos (-4,5 pontos percentuais do que no segundo trimestre de 2019).

Estas evoluções refletem as transações no período em análise, assim como o efeito da redução do PIB.

No final do segundo trimestre de 2020, a economia portuguesa apresentava uma posição financeira líquida face ao resto do mundo de -102,8% do PIB, que compara com -104,6% do PIB no final do trimestre homólogo de 2019.