A Associação Portuguesa dos Deficientes (APD) alertou esta quinta-feira para a regressão nos direitos e na inclusão das pessoas cegas em Portugal, destacando os problemas entre os mais idosos ou o enfraquecimento das associações representativas.

Em comunicado, quando se assinala o Dia da Bengala Branca, instituído pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e a União Mundial dos Cegos para sensibilizar a sociedade para os obstáculos que as pessoas cegas ou de baixa visão enfrentam, a APD salienta que a data assinala-se “com enormes apreensões”.

A pandemia (pandemias) abriram o caminho do retrocesso da inclusão; ressurgiram ancestrais mitos; foram agitados medos novos; são suprimidos direitos; as pessoas com deficiência visual desconfiam”, diz a associação, num texto assinado pelo presidente do núcleo do Alentejo, Joaquim Manuel Cardoso.

Segundo a APD, as organizações representativas das pessoas com deficiência visual estão mais debilitadas, o que põe em causa o processo de inclusão das pessoas cegas, já que “à margem das organizações representativas, genuínas, democráticas, probas, não se construiu, não será construída inclusão”. A associação alerta também para o “padecimento dos idosos portadores de cegueira geriátrica”, que estão “sem ajuda, sem cobertura sanitária, sem proteção social, muitas vezes impossibilitados, face às diminutas pensões, de beneficiar de lares humanizados”.

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“A crise emergente, as aspirações de lucro, o sórdido negócio da saúde, associado à pobreza, as ignóbeis discriminações, a opressão do capital, são perigosíssimo obstáculo à inclusão”, refere Joaquim Manuel Cardoso, acrescentando que as pessoas cegas não vão celebrar o dia de hoje em festa porque os seus direitos e a sua inclusão regrediram e faltam serviços competentes.

Na opinião do dirigente, estes “novos tempos” trazem “novas lutas e duras batalhas”, para as quais são precisos “amigos, aliados e parceiros comprometidos na mudança”, pelo que a Associação Portuguesa de Deficientes apela a todas as pessoas cegas para que tenham uma participação ativa por uma sociedade inclusiva ao mesmo tempo que reclama pela execução de uma política inclusiva.