O projeto CoaClimateRisk, dotado de cerca de 221 mil euros, vai avaliar o impacto das alterações climáticas e medidas de adaptação para as principais culturas agrícolas na região do Vale do Côa, foi esta segunda-feira anunciado.

O projeto é coordenado por Hélder Fraga, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e conta com a parceria da Fundação Côa Parque, Universidade do Minho (UM), entidades regionais e de dois consultores internacionais, oriundos de Itália e Luxemburgo, que vão avaliar os impactos das alterações climáticas sobre as principais culturas agrícolas neste território.

“Para este propósito, um conjunto de modelos climáticos regionais de última geração, forçados por cenários de emissão de gases de efeito estufa recém-desenvolvidos, serão usados para desenvolver projeções climáticas de alta qualidade”, indica o investigador do Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB/UTAD), Hélder Fraga.

Em comunicado, o CITAB explica que “este projeto vai desenvolver/aplicar novas metodologias de modelação de culturas, novas simulações de modelos climáticos de última geração, cenários de emissão e modelos de culturas”. Será também feito o estudo das medidas de adaptação, que serão simuladas em climas futuros, como a rega, coberto vegetal e seleção de variedades da flora autóctone. Os dados recolhidos através do projeto fornecerão “uma medida da resposta às mudanças climáticas pela aplicação de medidas de adaptação”, como por exemplo, quanta água de rega será necessária para cada cultura no futuro e, usando modelos hidrológicos, concluirá “se essa água estará disponível na bacia hidrográfica”.

“Os dados recolhidos irão contribuir para calcular uma zonagem bioclimática de alta resolução das culturas selecionadas em climas atuais e futuros, com previsão até 2100”, acrescentam os investigadores. “Essa zonagem revelará não apenas a adequação atual, mas também futura de uma determinada região a uma cultura específica. Posteriormente, serão utilizados modelos dinâmicos de culturas para avaliar os impactos das alterações climáticas na produtividade potencial das culturas, à escala local”, concretiza Helder Fraga.

Está também prevista a análise do impacto económico, a fim de estabelecer uma ligação entre as atividades económicas que contribuem para o Produto Interno Bruto (PIB) regional, definindo indicadores diretos e indiretos de influência climática (por exemplo, volumes de vendas e níveis de custo), “sendo esse elo a base para construir macro cenários regionais socioeconómicos que representem a exposição às mudanças climáticas das diversas atividades socioeconómicas”, refere ainda o investigador.

Em Portugal, o setor agrícola tem uma elevada importância económica, social e cultural. No caso específico do Vale do Côa, as vinhas e os olivais representam cerca de 10% da área total. Outras culturas importantes incluem a castanha e a amêndoa, entre outras, facto que destaca a agricultura como base económica desta região, que é Património da Humanidade classificado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), desde 1998.

“A informação fornecida por este projeto” é, por isso, “da maior relevância” para as partes interessadas do setor agrícola do Vale do Côa, uma vez que “permitirá desenvolver e promover medidas adequadas para mitigar os riscos das alterações climáticas” salienta Hélder fraga.

Embora as alterações climáticas possam representar uma ameaça importante, são também, na opinião do investigador, “uma oportunidade” para desenvolver medidas de adaptação sustentáveis. “A implementação pode mitigar significativamente os impactos da mudança climática sobre essas culturas e sobre a economia regional/nacional, em geral”, concluiu. Este projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.