Os 507 imigrantes resgatados esta quinta-feira pelo Salvamento Marítimo a sul da Grande Canária, elevam para 2.498 as pessoas chegadas às ilhas nos últimos sete dias, quase tantos quanto os registados no ano inteiro de 2019 (2.698).

O fluxo de embarcações dos mais diversos tipos para as ilhas excedeu os 300 imigrantes por dia, em seis dos últimos sete dias, com a exceção de sábado, em que se contaram 226. Há mais de uma década que não se viam nas Canárias chegadas de imigrantes com esta dimensão, que fazem recordar a situação vivida em 2006-2008.

A consequência mais imediata é que a capacidade de acolhimento das várias instituições está excedida, apesar da decisão do Ministério das Migrações de contratar complexos turísticos vazios para funcionarem como acolhimentos de emergência. Esta decisão permitiu obter três mil lugares.

A ponta de icebergue é o porto de Arguineguín, onde operam os três navios destacados pelo Salvamento Marítimo para a Grande Canária, onde está o acampamento para o primeiro acolhimento dos migrantes. O que tinha sido pensado inicialmente como uma instalação da Cruz Vermelha, que se montava e desmontava, com cada embarcação chegada às ilhas, converteu-se num campo de tendas de campanha que foi submerso pelos acontecimentos.

O Ministério optou por pagar alojamentos turísticos como recurso de urgência há um mês, ao considerar insustentável a acumulação, ao longo de dias, de cerca de 400 pessoas, no porto de Arguineguín. A meio da tarde de esta quarta-feira, estavam no molhe 1.352 pessoas, segundo a Cruz Vermelha. Durante o dia, as tripulações do Salvamento Marítimo não pararam.

Entretanto, o presidente das Canárias, Ángel Víctor Torres, recebeu em Las Palmas o cônsul de Marrocos, Ahmed Moussa, para analisar a situação, uma vez que, desde há meses, a grande maioria dos recém-chegados são marroquinos.

Os dois dirigentes prepararam a próxima visita de governantes de Espanha a Marrocos para procurar soluções diplomáticas para esta crise. O dirigente canário diz estar convencido de que se pode tapar a rota do Estreito de Gibraltar e do Mar de Alborán; e que também se pedem esforços no mesmo sentido na rota atlântica, para as Canárias.