A polícia angolana informou esta quarta-feira que proibiu a presença de pessoas nas proximidades do tribunal onde decorre o julgamento de 103 manifestantes, detidos no sábado, devido a atos de vandalismo registados na terça-feira.

Segundo o porta-voz do comando provincial de Luanda da Polícia Nacional, Nestor Goubel, no início da noite de terça-feira, um grupo de cerca de 300 manifestantes e apoiantes que se encontravam nos arredores do Tribunal Provincial de Luanda protagonizaram um conjunto de atos de vandalismo.

O porta-voz policial disse que foi na rua Major Kanhagulo que os suspeitos cometeram atos de desacato, arremessaram pedras, quebraram vidros e danificaram as instalações de duas empresas, nomeadamente Endiama e Finibanco, além de impedirem a circulação do trânsito naquelas cercanias.

“Houve atos de pilhagem, houve a tentativa de retirar as barreiras metálicas da polícia por parte destes manifestantes, uma atitude reprovável. A polícia teve que tomar medidas para conter os ânimos destes manifestantes”, referiu. O responsável policial explicou que os efetivos da ordem e segurança conseguiram conter as ações dos manifestantes, sublinhando que os cidadãos podem reclamar os seus direitos “sem beliscar o direito de terceiros”.

“O que se assistiu ontem [terça-feira] foi autêntica pilhagem, desacato, assuada, que de alguma forma terão criado danos avultados, ainda não calculados”, frisou. De acordo com Nestor Goubel, em função da “atitude reprovável” e deste “comportamento menos cívico, não se vai permitir que hajam aglomerados nas cercanias do tribunal”.

“Hoje o nosso dispositivo dos efetivos estarão no máximo da sua força, para impedir estes aglomerados, uma vez que já ficou provado que estes aglomerados estão a produzir muitos danos, não só aos transeuntes, mas também ao património público, daí a necessidade de nós controlarmos esse tipo de situações”, salientou.

Um grupo de 103 manifestantes detidos pela polícia, na sequência da tentativa de uma manifestação no sábado, está a ser julgado desde segunda-feira, sob um forte aparato de segurança. No exterior do tribunal mantém-se um grupo de apoiantes, exigindo liberdade para os seus companheiros, através de palavras de ordem e cartazes, entrando por vezes em confronto com os polícias.