O secretário-geral do PCP desafiou esta sexta-feira o Governo a responder “à chantagem” do “grupo Champalimaud”, retirar-lhe a concessão do serviço postal e renacionalizar os CTT.

A proposta foi feita por Jerónimo de Sousa depois de estar a ouvir, durante mais de uma hora, dirigentes sindicais e representantes dos trabalhadores da empresa traçarem um cenário de atrasos e dificuldades nos CTT e criticarem a distribuição de dividendos de 342 milhões de euros nos últimos anos.

Depois de um ataque ao Governo PSD/CDS pela privatização, o líder comunista atacou a “política de direita” do PS de nada responder ao que considerou “chantagem” da empresa de “abandonar o serviço postal” se o Estado não pagar mais pelo serviço postal, referindo-se a uma notícia do semanário Expresso, no sábado. A resposta é, afirmou, “avançar para a recuperação do controlo público dos CTT”, como o PCP propôs há uma semana, no parlamento, e PS e a direita “chumbaram”.

O executivo do PS poderia responder a este desafio até 06 de novembro, quando se assinalam os 500 anos da fundação do serviço publico de correios em Portugal ou aprovando uma proposta feita pela bancada comunista de renacionalização da empresa.

A proposta tem, segundo Jerónimo, duas leituras possíveis. Primeiro, assinalar “a prioridade” dada à “garantia de ter nas mãos do Estado” as “empresas e setores estratégicos” à economia e desenvolvimento do país e “sinalizar o quão distante está o Orçamento do Estado [de 2021] de “responder aos problemas estruturais” nacionais.