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Um estudo nos Estados Unidos demonstra que o risco de transmissão do SARS-CoV-2 dentro do mesmo agregado familiar é alto e destaca a importância do isolamento profilático mesmo antes do resultado do teste. Além disso, o estudo dos Centros para o Controlo e Prevenção da Doença (CDC) defende que se aumente a capacidade de testagem devido à quantidade de pessoas que se mantêm assintomáticas e continuam a transmitir o vírus.

“Menos de metade dos membros da família com infeções confirmadas com SARS-CoV-2 relataram sintomas no momento em que a infeção foi detetada pela primeira vez”, refere o estudo conduzido em Nashville (Tennessee) e Marshfield (Wisconsin).

Estes resultados sugerem que a transmissão do SARS-CoV-2 dentro dos agregados familiares é alta, ocorre rapidamente e pode ter origem tanto em crianças como em adultos. A adoção imediata de medidas de controlo da doença, incluindo isolamento em casa, quarentena de todos os coabitantes e uso de máscara por todos os elementos do agregado familiar em espaços compartilhados, pode reduzir a probabilidade da transmissão em casa”, concluem os autores do estudo.

As recomendações de que uma pessoa com teste positivo fique em isolamento e que os contactos próximos cumpram 14 dias de isolamento profilático não são novidade em Portugal. Aliás, mesmo antes de se saber o resultado do teste são tomadas as devidas medidas de precaução como se a pessoa estivesse infetada.

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“As infeções secundárias aconteceram rapidamente, com cerca de 75% das infeções a serem identificadas nos cinco dias depois de o primeiro caso ser confirmado”, escrevem os autores do estudo que seguiram a transmissão dentro dos agregados familiares por sete dias ou mais. Os investigadores destacam, assim, a importância das medidas precoces: quanto mais depressa a pessoa infetada ficar em isolamento, mais depressa se controla a transmissão e menos pessoas do agregado familiar ficarão infetadas.

Outros estudos, sobretudo feitos a nível internacional, podem ter encontrado taxas de infeção secundária mais baixas devido ao rápido isolamento de doentes em instalações fora de casa ou à adoção de medidas de controlo diferentes em casa, como o uso de máscara em casa”, escrevem os autores que detetaram 102 casos positivos nos 191 contactos dentro dos agregados familiares estudados.

Isolamento ou quarentena tão cedo quanto possível, uso de máscaras em casa, distanciamento dentro do domicílio, pessoas infetadas a dormir sozinhas e a terem uma casa de banho só para si, são algumas das medidas sugeridas pelo CDC.

Além das medidas dentro do domicílio, os investigadores fazem outra sugestão: detetar infeções na comunidade mesmo antes de se manifestarem os sintomas. “Isso exigiria testes frequentes e sistemáticos na comunidade com resultados rapidamente disponíveis para permitir a adoção imediata de medidas preventivas.” Se esta estratégia é viável é um dos assuntos em estudo nos Estados Unidos.