A agência de rating Moody’s indicou, num relatório difundido esta segunda-feira, que os preços das casas na Europa devem aguentar-se neste ano de 2020 mas no próximo ano (2021) irão cair – e essa descida irá verificar-se, sobretudo, nos países do sul da Europa (incluindo Portugal) cujas economias estão mais dependentes de atividades como o turismo, um dos mais fustigados nesta crise.

Segundo a agência Moody’s, “os preços no mercado imobiliário residencial na Europa devem manter-se estáveis em 2020, para depois descerem na maioria dos países fruto da crise de Covid-19 e a grave recessão económica provocada pela pandemia”, diz a agência de rating, admitindo descidas dos preços na ordem dos 2% em 2021.

Será consequência, por exemplo, do fim de alguns apoios governamentais como as moratórias bancárias. Porém, o facto de as taxas de juro continuarem em níveis (cada vez mais) baixos fará com que a queda não seja tão pronunciada quando se poderia prever, já que esse facto torna o investimento imobiliário mais atrativo como alternativa a outros investimentos e, por outro lado, também atenuam a pressão sobre os donos das casas porque as prestações são mais baixas.

Em Portugal, a Moody’s indica que tudo dependerá da rapidez com que setores como o turismo e a restauração irão voltar a algo parecido com a normalidade dos anos anteriores à crise pandémica. Se o turismo demorar mais tempo a recuperar, isso poderá levar muitas casas que estão vocacionadas para o arrendamento em alojamento local a serem vendidas ou colocadas no mercado de arrendamento tradicional, potencialmente criando focos de “excesso” de oferta, o exato oposto da situação que tem marcado os últimos anos.

Outra tendência que a Moody’s não tem dúvidas de que irá intensificar-se é a procura cada vez maior por casas maiores nos subúrbios, em detrimento das maiores cidades. “À medida que as pessoas trabalham mais a partir de casa, irá baixar de forma significativa a procura por habitação nos centros urbanos – os consumidores vão querer casas maiores onde possam trabalhar de forma mais cómoda, mais longe desses centros urbanos”, antecipa a Moody’s, que nota, ainda, que os governos vão ter de ser mais interventivos com a criação de habitação social e proteção de inquilinos.