A autorização de Maputo à deslocação de uma missão de peritos da União Europeia (UE) ao país é “um passo fundamental” para que a ajuda europeia possa avançar, afirmou esta terça-feira a secretária de Estado dos Assuntos Europeus.

Esta missão deveria já ter tido lugar, não se concretizou, é importante que as autoridades moçambicanas autorizem a deslocação desta missão”, disse Ana Paula Zacarias, na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, em resposta a uma pergunta do PSD.

Claramente as autoridades moçambicanas têm que ter em conta, para dar este passo, a situação de segurança que permita à missão deslocar-se aquela região [Cabo Delgado], mas é um passo fundamental para que mais se possa fazer”, acrescentou.

A governante referia-se à ajuda pedida por Moçambique à União Europeia, a qual teve “resposta imediata” de Bruxelas, mas exige a deslocação de uma missão de peritos ao país para “viabilizar e materializar o subsequente apoio europeu”, “sem o qual é difícil para a própria UE avaliar claramente os montantes que serão necessários”.

Ana Paula Zacarias frisou, por outro lado, que o Governo português “está ao lado de Moçambique neste momento difícil” e evocou a conversa mantida esta terça-feira entre o primeiro-ministro, António Costa, e o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Numa publicação na sua conta oficial na rede social Twitter, António Costa disse ter transmitido a Filipe Nyusi a disponibilidade de Portugal para “apoiar, bilateralmente, e no quadro da União Europeia” o país nos esforços de combate ao terrorismo na região de Cabo Delgado.

Portugal está solidário e disponível para apoiar, bilateralmente e no quadro da UE”, escreveu António Costa, que revelou ainda esperar que a próxima cimeira bilateral entre os dois países se possa realizar no segundo semestre do próximo ano, em Maputo.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, é há três anos alvo de ataques por grupos armados, alguns reivindicados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, o que provocou uma crise humana com cerca de duas mil mortes e 500 mil deslocados internos, concentrados sobretudo na capital provincial, Pemba.