O Líder Supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, lamentou a morte do cientista nuclear Mohsen Fakhrizadeh-Mahabadi , assassinado a tiros esta sexta-feira nos arredores de Teerão, evocando-o a agora como um mártir.

“Um dos cientistas mais importantes no campo da energia nuclear e da defesa, o Dr. Mohsen Fakhrizadeh-Mahabadi , foi martirizado por brutais mercenários”, escreveu na sua conta de Twitter anglófona, numa mensagem que foi repetida por outras contas de outras línguas do maior responsável político do Irão. “Com os seus grandes e árduos esforços científicos, sacrificou a sua vida no caminho de Deus e o sublime estatuto de mártir é a sua recompensa divina.”

Em reação àquele assassinato, que o governo já disse ser da responsabilidade de Israel, acusação que o aiatolá não repete mas também não rejeita, o Líder Supremo instou as autoridades iranianas a agirem por dois caminhos. “Primeiro, devem investigar este crime e julgar firmemente os culpados e os seus mandantes. Segundo, devem continuar os esforços científicos e tecnológicos em todos os setores em que ele era ativo”, disse.

Mohsen Fakhrizadeh-Mahabadi era o principal cientista do esforço iraniano no campo nuclear. Embora o Irão nunca tenha assumido abertamente as suas ambições nucleares do ponto de vista militar, referindo que o uso pretendido era sempre para fins energéticos, desde que o Acordo Nuclear com o Irão foi rescindido unilateralmente pelos EUA de Donald Trump (com a Rússia, China, Reino Unido, Alemanha e Comissão Europeia a manterem-se dentro do acordo) que a república islâmica tem comunicado a sua intenção de incumprir o que fora acordado em 2015.

A seguinte administração norte-americana, de Joe Biden, tem o objetivo de voltar a estabelecer contactos com o Irão no sentido de conseguir restaurar aquele acordo, ideia que não agrada a Israel, que a par da Arábia Saudita é o maior alvo geopolítico do Irão na região do Médio Oriente.