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Vários funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) falaram do que se passou com Ihor Homeniuk, o cidadão ucraniano que morreu a 12 de março nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa, num grupo de Whatsapp.

O Correio da Manhã divulgou, esta terça-feira, várias mensagens do grupo, do qual faziam parte dezenas de funcionários. Segundo o jornal, estas mensagens constam no processo relativo à morte de Homeniuk, sendo que a Polícia Judiciária teve acesso à conversa através de um segurança.

Pela troca de mensagens percebe-se que várias pessoas tiveram conhecimento do que se passou e nada fizeram em relação a isso. “O homem foi algemado com demasiada força e perdeu a circulação nos braços. Além de se ter mijado todo”, lê-se numa das mensagens.

Outro dos funcionários escreve que “a culpa” não foi do SEF: “Pensava que tivesse sido algo que algum de nós tivesse feito (…) Mas a culpa não foi de nenhum de nós, ainda bem. Que a culpa seja dos outros”.

“Olha, deu nisto. (…) Mataram o gajo”, refere ainda outro participante do grupo de Whatsapp.

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Este caso resultou na demissão da diretora do SEF, Cristina Gatões, nove meses depois e acendeu uma polémica no campo político, com pedidos de demissão do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que vai ser ouvido esta terça-feira no Parlamento.

“Isto aqui é para ninguém ver”. As 56 horas que levaram à morte de um ucraniano no aeroporto de Lisboa