– Estava aqui a falar da possibilidade que havia de teres jogado ainda os playoffs na última época, que acabou por não acontecer. Portanto, estiveste só a trabalhar o teu jogo e a recuperar a tua condição para estares bem…
– Yeah.

Sem público nas bancadas mas com interesse redobrado no regresso da NBA, as entrevistas depois dos encontros ganharam um outro peso. Ainda assim, nem tudo corre sempre bem e a resposta com uma única palavra de Kevin Durant à antiga estrela Charles Barkley rapidamente se tornou um dos pontos altos da noite, até pelo ar de espanto com que o ex-MVP ficou a olhar para a câmara, sem perceber muito bem o que dizer. Se em campo o extremo que voltou aos pavilhões para jogar oficialmente 561 dias depois de uma grave lesão no tendão de Aquiles deu a melhor resposta, fora dele não poderia ter sido mais sucinto, numa tendência que se seguiu nas perguntas de nomes como Shaquille O’Neal ou Kenny Smith. Mas o mais importante estava feito. E bem feito.

Bastaram 12 minutos no primeiro período para se perceber o que podem ser os Brooklyn Nets na presente época com o regresso do MVP da época de 2014 e campeão em 2017 e 2018. E logo contra a antiga equipa, os Golden State Warriors do amigo e também regressado Stephen Curry: dos 40 pontos marcados a abrir pela formação visitada, 27 pertenceram a KD e Kyrie Irving, uma dupla que se transformou num tornado e deixou uma mensagem à concorrência na Conferência Este, sobretudo Miami Heat, Milwaukee Bucks, Boston Celtics e Toronto Raptors. E a vitória por 125-99 sobre uma equipa de Steve Kerr que voltou a começar a nova temporada assolada pelas lesões de Klay Thompson e Daymond Green (a do primeiro mais grave) foi construída na primeira parte.

Se Curry acabou os pouco mais de 30 minutos realizados com “apenas” 20 pontos com dez assistências e uma percentagem de lançamentos de três pontos de 20%, Durant marcou 22 pontos em 25 minutos onde esteve sempre muito ativo e a desequilibrar sobretudo no plano ofensivo. Irving, com 26 pontos, quatro ressaltos e outras tantas assistências, foi o MVP do encontro, com uma percentagem de lançamento de 60% em 23 tentativas.

Ainda assim, nem todas as atenções dos Brooklyn Nets estiveram focadas no Barclays Center e a “culpa” é de James Harden, um dos melhores marcadores da competição nas últimas temporadas. Depois de um arranque atribulado onde teve de ficar em isolamento por ter frequentado clubes noturnos e regressou aos treinos com alguns quilos a mais, as coisas não acalmaram e a The Athletic avançou esta terça-feira que o jogador tem vivido episódios de tensão com os companheiros, tendo mesmo atirado uma bola ao rookie Jae’Sean Tate. Os Houston Rockets já admitem trocar o jogador mas na corrida estão também Miami Heat ou Philadelphia 76ers.

No outro encontro da noite, o mais aguardado por envolver os novos campeões Los Angeles Lakers, a festa foi feita apenas antes do encontro, altura em que LeBron James, Anthony Davis e companhia receberam os anéis pelo título da última temporada com algumas mensagens em vídeo de familiares e amigos próximos que continuam sem poder ir aos pavilhões. Paul George, que no ano passado foi tantas vezes criticado por desaparecer nos principais encontros, foi a grande figura dos Clippers no dérbi de LA com 33 pontos, seis ressaltos e três assistências entre percentagens de 13 em 18 nos lançados de dois e cinco em oito nos triplos. Kahwi Leonard, com 26 pontos, foi o outro melhor marcador no triunfo por 116-109, onde LeBron fez 22 pontos e Serge Ibaka ganhou o duelo particular com Marc Gasol, poste espanhol campeão pelos Raptors que fez a estreia pelos Lakers (cinco pontos).