O Sindicato de Futebolistas Uruguaios (AFU) criticou esta segunda-feira a Federação Inglesa de Futebol (FA) por ter praticado “um ato de discriminação” ao suspender o internacional Edinson Cavani (Manchester United) por racismo.

O avançado de 33 anos foi suspenso por três partidas por ter escrito “gracias negrito” (‘obrigado, negrinho’, em tradução livre) numa publicação no Twitter, após ter recebido elogios de um amigo pelos dois golos marcados ao Southampton (3-2), em 29 de novembro de 2020.

“Longe de ser um ato de combate ao racismo, o que a FA fez foi um ato de discriminação contra a cultura e forma de viver dos uruguaios”, pode ler-se no comunicado, esta segunda-feira divulgado pela AFU, que representa atletas masculinos e femininos, profissionais e amadores, daquele país sul-americano. Segundo a mesma fonte, a sanção “revela uma visão etnocêntrica, dogmática e enviesada que só admite a leitura que quer impor a partir da sua interpretação subjetiva”.

O comunicado completo do sindicato foi publicado na Internet, com o defesa internacional Sebastián Coates, do Sporting, a partilhá-lo nas redes sociais Instagram e Twitter.

Coates, de 30 anos, acumulou 40 jogos pela seleção do Uruguai, muitos deles ao lado de Cavani, e jogou em Inglaterra antes de chegar ao Sporting em 2015, por Liverpool e Sunderland.

As críticas seguem-se a uma posição similar tomada pela Academia de Letras do Uruguai, que classificou a FA como “ignorante” pela suspensão.

Nem Cavani, que pediu desculpa, nem o Manchester United apelaram da decisão, por quererem respeitar os esforços do futebol inglês contra o racismo, com o jogador a pagar ainda uma multa de mais de 111 mil euros e a ter de marcar presença numa ação de formação educacional.