Angola vai suspender as ligações aéreas com Portugal, Brasil e África do Sul, a partir da meia-noite de dia 24 de janeiro, anunciou o ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Adão de Almeida.

A suspensão temporária dos voos decorre da necessidade de controlar a propagação da pandemia de Covid-19, em particular das novas estirpes do vírus SARS-CoV-2, causador da doença. “A dinâmica de voos regulares vai sofrer alterações”, afirmou o ministro, salientando que a medida começa a vigorar a partir da meia-hora de 24 de janeiro de 2021.

“Vamos ter um período de pouco mais de uma semana onde o objetivo é permitir que o máximo possível de cidadãos angolanos e estrangeiros que se encontram nesses países possam regressar”, sublinhou.

O Governo angolano estima que se encontrem nestes países pouco mais de 11 mil cidadãos nacionais e estrangeiros que residam ou trabalham em Angola.

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Apesar de Angola suspender as ligações diretas com Portugal, Brasil e África do Sul, operadas pela transportadora portuguesa TAP e angolana TAAG, outras companhias aéreas como a Air France, Lufthansa, Qatar Airaways e Emirates vão manter os voos regulares, segundo o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu. Adão de Almeida explicou que a diferença é que, “mesmo para essas ligações, passa a ser obrigatório o teste pós-desembarque”.

Regresso a Angola obriga a teste à chegada

Os testes pós-desembarque que serão necessários para os passageiros oriundos do estrangeiro entrarem em Angola a partir de sábado e vão ser gratuitos numa primeira fase, informou o Governo angolano.

“Estes testes pós-desembarque, numa primeira fase, serão gratuitos. Vamos avaliando a situação e tomando as medidas, mas para esta situação emergencial de repatriamento serão gratuitos”, afirmou a ministra da Saúde, Silvia Lutucuta, numa conferência de imprensa em Luanda

A ministra destacou que, face ao surgimento das novas variantes, com maior potencial de contágio, e à necessidade de permitir o regresso dos cidadãos angolanos, foi necessário adotar medidas de contenção para evitar a propagação do vírus. “A melhor alternativa é a quarentena domiciliar, aumentando a segurança da testagem”, realçou.

Se o resultado do teste rápido (antigénio) for negativo, o passageiro irá para a quarentena domiciliar, que passará a durar 10 dias, mas se for positivo, será imediatamente submetido a isolamento institucional.

Atualmente, Angola já exige aos passageiros a realização de um teste pré-embarque RT-PCR, realizado até 72 horas antes do voo, bem como quarentena domiciliar por sete dias, período após o qual é necessário realizar um novo teste para despistar o SARS-CoV-2 para pedir alta.

O ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Adão de Almeida, considerou que o principal desafio vai ser gerir o teste após desembarque em território nacional, apelando à compreensão dos cidadãos para evitar constrangimentos

O ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, informou que Lisboa é o local com mais passageiros da TAAG, a companhia de bandeira angolana (cerca de 5.000), contando São Paulo (Brasil) com um potencial de 1.600 e a Cidade do Cabo (África do Sul) 1.400. Do lado da TAP, estimou em 3.000 o número de passageiros que deverão regressar. As outras companhias aéreas com quem Luanda atualmente faz ligações (Emirates e Qatar Airways, Air France e Lufthansa) mantêm as suas frequências e voos regulares.

Ricardo de Abreu adiantou que está a ser preparada uma estratégia para alertar os passageiros sobre os voos, para poderem proceder à testagem pré-embarque “e permitir que haja alguma fluidez”. Embora não haja necessidade de autorização para entrar no país, os passageiros são obrigados a preencher um formulário de registo de viagem, acrescentou.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.979.596 mortos resultantes de mais de 92,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Angola totaliza 18.613 casos, dos quais 2.180 doentes estão em tratamento, e 425 mortos. África registou nas últimas 24 horas mais 1.265 mortes por Covid-19, para um total de 75.709, e 34.802 novos casos de infeção, segundo os últimos dados oficiais da pandemia no continente.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), o número de infetados é de 3.142.781 e o de recuperados nos 55 Estados-membros da organização nas últimas 24 horas foi de 24.073, para um total de 2.562.961 desde o início da pandemia.