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A polémica instalou-se nas redes sociais após denúncias de que uma jornalista freelancer do The New York Times foi demitida depois de ter sido alvo de críticas de conservadores por uma publicação no Twitter. No tweet em causa a jornalista escreveu ter ficado “arrepiada” ao ver o avião de Joe Biden aterrar na base aérea de Andrews, em Washington.

A jornalista Lauren Wolfe escreveu o tweet a 19 de janeiro quando Biden chegou a Washington, no dia anterior à sua tomada de posse enquanto presidente dos Estados Unidos.

Dois dias depois, Wolfe foi dispensada pelo jornal, depois de o seu tweet ter captado a atenção de correntes de opinião conservadoras, que acusavam a jornalista de declarar publicamente o seu apoio a Biden, insinuando que isso mostrava que o The New York Times era tendencioso na sua cobertura noticiosa das eleições. Ao longo dos últimos dias, vários jornalistas denunciaram que Wolfe tinha visto o seu contrato cancelado após o jornal ceder à pressão destas críticas.

Porém, no domingo, em declarações ao The Washington Post, uma porta-voz do The New York Times negou haver uma relação direta entre o tweet pró Biden de Lauren Wolfe e o seu despedimento, dando a entender que estaria em causa um comportamento reiterado por parte da jornalista.

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“Há muitas informações imprecisas a circular no Twitter. Por motivos de privacidade, não vamos entrar em detalhes sobre questões que envolvem o pessoal, mas podemos dizer que não retiramos o emprego de alguém por causa de um único tweet. Por respeito aos indivíduos envolvidos, não planeamos comentar mais”, esclareceu a porta-voz Danielle Rhoades Ha.

A porta-voz do The New York Times também clarificou que Wolfe não desempenhava funções em tempo integral e não tinha contrato com a publicação, ao contrário do que se afirmava, e que, em vez disso, trabalhava como freelancer.

Apesar disso, o sindicato dos trabalhadores do The New York Times disse estar a investigar a situação. “Acreditamos que todos os nossos membros merecem o devido processo legal e as proteções de justa causa, os próprios direitos que são fundamentais para o jornalismo independente e objetivo”, lê-se num tweet do sindicato.

Muitos dos que defenderam Wolfe apontaram que o jornal não teve a mesma conduta quando o jornalista Glenn Thrush foi acusado de comportamentos sexuais impróprios por várias mulheres em 2017. Na altura, o The New York Times suspendeu Thrush por dois meses, mas não o dispensou.