Desde o Verão de 2020 que se fala da possibilidade de a Volkswagen AG utilizar a Bugatti como moeda de troca. Em cima da mesa está a necessidade de electrificar o fabricante francês de hiperdesportivos, o que implica uma tecnologia a nível de baterias, motores, gestão de energia e de sistemas de tracção integral que o grupo alemão não possui. Mas que abunda para o lado da Rimac.

A Rimac desenvolveu os seus próprios sistemas eléctricos a 800 volts e transmissões com duas velocidades para veículos eléctricos, que curiosamente se podem encontrar ao serviço do Porsche Taycan, com a marca germânica a ter adquirido uma fatia (15,5%) do pequeno construtor croata para um acesso privilegiado ao seu banco de órgãos. Mas se a Rimac pode ajudar a Porsche, pode também fazer o mesmo com a Bugatti, uma vez que o seu Rimac C_Two, com 1914 cv, quatro rodas motrizes, autonomia de 550 km e a capacidade de atingir 412 km/h, serve perfeitamente de base para o sucessor eléctrico do Chiron, desde que a Bugatti conceba um modelo luxuoso e requintado ao nível da mecânica croata.

VW quer vender Bugatti para ajudar Porsche

O objectivo da Volkswagen AG poderá passar pela entrega da Bugatti em troca de uma participação maior na Rimac, uma vez que, aparentemente o fundador da marca croata, Mate Rimac, acredita que a marca francesa lhe pode abrir umas portas de acesso a um certo tipo de clientes a quem dificilmente chegará com um veículo dos seus.

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Pelo seu lado, o Grupo VW passaria a ter acesso de imediato a todo o manancial tecnológico do pequeno mas dotado construtor, que poderia utilizar em algumas das outras marcas do grupo. A prova de que o maior interesse na Rimac vem do lado da Porsche é que foi o próprio CEO, Oliver Blume, quem confessou à publicação germânica Automobilwoche que “a decisão sobre o que o grupo vai fazer com a Bugatti está para breve”. Para depois especificar que a solução será “anunciada pelo grupo na primeira metade do ano”, ou seja, até Junho.

Carbono ajudou a passar dos 490 km/h. Não imagina onde

Oliver admite que “a Rimac pode desempenhar um papel importante, uma vez que o seu potencial tecnológico encaixa bem nas necessidades do grupo”, para depois anunciar que “estão a ser estudados vários cenários, com estruturas distintas”. Mas para que o Grupo VW, ou directamente a Porsche, possa incrementar de 15,5% para 49% a percentagem que detém na Rimac – uma vez que Mate Rimac não quer perder o controlo da sua marca –, seria necessário que a Hyundai-Kia abrisse mão do investimento (80 milhões de euros) que também fez na marca croata.