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Um, dois, três, quatro, dez, 12, 15, 18. Depois de dois empates consecutivos, o triunfo sofrido do Manchester City em Southampton deu início a uma longa série de vitórias consecutivas entre Premier League, Taça de Inglaterra e Taça da Liga que, pela confiança coletiva e pela subida de rendimento individual que foi propiciando, recuperou a melhor versão da equipa de Pep Guardiola desde que chegou a Inglaterra. Mais do que isso, mostrou como nunca aquilo que a versatilidade dos jogadores pode conferir em termos de opções táticas, como se consegue perceber no movimento de João Cancelo como lateral sem bola que avança para o corredor central em posse.

O Arsenal aguentou 76 segundos, a dupla Rúben Dias-Stones aguentou 90 minutos: City reforça liderança com 13.ª vitória seguida na Premier

Foi isso que aconteceu na última vitória em Londres frente ao Arsenal quando o internacional português estava na direita, foi isso que aconteceu esta noite na Alemanha diante do Borussia Mönchengladbach estando na esquerda. E se essa nuance tática, uma entre muitas, oferece mais e melhores linhas de passe no início da construção, tem também o condão de bloquear o corredor central para condicionar as transições adversárias – daí que, entre as 18 vitórias, tenha sofrido apenas seis golos, numa média de apenas um por cada três partidas. Mas nem isso foi suficiente para Guardiola assumir um grande favoritismo na Puskas Arena, em Budapeste.

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“Não sou um grande fã de dizer isto: pode ajudar-te. O futebol mostra-te milhões de exemplos de como um clube que vence a Champions e com 29 ou 30 anos de experiência na competição pode perder. Sempre que saímos da Liga dos Campeões estávamos em grande nível. Ficámos perto. Tanto com o Tottenham como com o Lyon sentíamos que éramos mais fortes mas acabámos por não passar. Acontece, é futebol. Só quero que joguemos com o desejo de ganhar, mantendo o nosso estilo e os nossos princípios. Se formos bons vamos estar nos quartos. Vamos ter o mesmo processo: pensamos no jogo do B. Mönchengladbach, depois no West Ham, depois no Wolves, depois no Manchester United… Um passo de cada vez, um jogo de cada vez”, comentara o espanhol.

O pedido cumpriu-se: o Manchester City foi fiel a si mesmo, jogou melhor não só em posse mas também na reação à perda da bola numa pressão que começava a ser feita à saída da área germânica e voltou a contar com o melhor do trio português: João Cancelo jogou outra vez muito, Bernardo Silva voltou a marcar na Champions e Rúben Dias, no setor recuado, assistiu a tudo na maior parte do tempo quase como espectador. No final, e de forma natural, os ingleses ganharam por 2-0 e somaram o 19.º triunfo consecutivo, superando as séries de FC Porto (em 2018/19) e Benfica (em 2010/11), ficando a três vitórias do Real Madrid de Ronaldo de 2014/15, a quatro do Bayern da última época, a sete do Ajax de Cruyff de 1971/72 e a oito do recorde que pertence aos galeses do The New Saints, em 2016/17, como destacava a Marca num trabalho publicado esta quarta-feira.

Como tem sido habitual, Guardiola fez cinco alterações, mexeu peças de um lado para o outro e manteve o nível exibicional dos últimos tempos, agora com Kyle Walker como lateral direito, Laporte no lugar de John Stones, Rodri em vez de Fernandinho, Phil Foden na vaga de Kevin de Bruyne e Gabriel Jesus como referência no ataque, deixando Mahrez de fora e permitindo que Sterling caísse mais vezes nas alas. E não se pode dizer propriamente que o B. Mönchengladbach tenha estado mal, não só pela organização defensiva mas também pela coragem de sair com bola desde trás. No entanto, e para não variar, o Manchester City foi melhor. Com posse, com mobilidade, com inteligência, nem sempre com o último passe a sair. E o intervalo chegou com a vantagem dos ingleses, em mais um lance bem construído desde a reação à perda: Bernardo Silva pressionou logo à saída da área, a defesa germânica errou o passe, João Cancelo recuperou e o cruzamento foi desviado de cabeça por Bernardo Silva (29′).

Mais uma vez, João Cancelo voltou a ser o grande destaque. Com e sem bola. E em termos coletivos o Manchester City conseguiu ser tão dominante que Rúben Dias, o outro português titular, foi pouco mais do que um espectador perante o pouco trabalho que foi tendo na primeira parte, que aumentou no segundo tempo com a melhoria de Zakaria no jogo entre linhas e nas transições como aconteceu na grande oportunidade do B. Mönchengladbach, com Pléa a a ficar perto de marcar um golo fantástico de calcanhar (63′). No entanto, e ao sofrer essa espécie de toque para acordar na partida, o Manchester City voltou a desenhar mais um grande lance ofensivo para o 2-0, com João Cancelo a cruzar de novo no espaço interior mais à esquerda, Bernardo Silva assistiu de cabeça ao segundo poste e Gabriel Jesus, na pequena área, desviou para o golo que sentenciou de vez a partida (65′).