Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O Anchorage Digital Bank, liderado e cofundado pelo português Diogo Mónica, recebeu um investimento de 80 milhões de dólares (cerca de 65 milhões de euros ou 1.621 bitcoins, tendo em conta o valor desta moeda digital no momento de publicação deste artigo). O valor fez parte de uma ronda série C (fase de angariação de capital para startups em estados mais avançados) e vai ser utilizado para fazer crescer o banco em Portugal e na Europa.

Com sede em São Francisco, nos EUA, e escritórios no Porto, a fintech [startup de tecnologia financeira] com ADN português planeia utilizar o investimento para começar a expansão em Portugal, através da cidade de Lisboa. Em comunicado, a empresa afirma que quer contratar 50 pessoas no país nos próximos dois anos com o objetivo de crescer também no mercado europeu.

Esta nova ronda de investimento vai permitir-nos escalar rapidamente, para responder à crescente procura de participação no espaço dos ativos digitais, particularmente entre empresas e instituições financeiras tradicionais”, diz Diogo Mónica, presidente da startup.

Os 80 milhões de dólares angariados pelo banco foram investidos pelo GIC, o fundo soberano de Singapura, – a que se juntaram nomes como o a16z, Blockchain Capital, Lux, e o fundo de investimento português Indico Capital Partners. “Este movimento — a expansão da tecnologia blockchain [por detrás das criptomoedas] — não se trata de uma aposta em Bitcoin, como muito se fala; trata-se de uma mudança de paradigma computacional, uma revolução equivalente ao aparecimento dos computadores pessoais, a Internet ou os smartphones”, diz Stephan Morais, sócio-gerente da Indico Capital Partners.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Já ninguém pode ignorar a Bitcoin. Nem os bancos”, diz português que lidera o primeiro banco de criptomoedas nos EUA

O objetivo do Anchorage Digital Bank continuará a ser o investimento em criptomoedas e quer “apostar na criação de parcerias com neo-bancos, challenger banks, e bancos tradicionais”, escreve no anúncio do investimento. A curto prazo, a empresa quer “tornar o empréstimo de criptomoedas ‘seguro e sem problemas’ bem como tornar a participação institucional de Plataformas DeFi (finanças descentralizadas) acessível”.

Visa lança projeto-piloto de criptomoedas com o Anchorage Digital Bank

O Anchorage Digital Bank foi o primeiro banco a receber uma licença do regulador financeiros dos EUA para operar exclusivamente criptomoedas. No início de fevereiro, a Visa anunciou que lançou um projeto-piloto em parceria com a empresa para permitir que os bancos ofereçam serviços com criptomoedas, como armazenamento, compra e venda de bens digitais. No final de janeiro, em entrevista ao Observador, Diogo Mónica afirmava: “Já ninguém pode ignorar a Bitcoin. É demasiado grande”.