Militantes pró-junta atacaram e feriram em Rangum pessoas que estão contra a tomada do poder pelos militares em Myanmar, enquanto a rede social Facebook anunciou fechar todas as contas ligadas ao exército birmanês. A cólera do povo birmanês contra os generais autores do golpe de 1 de fevereiro abala Myanmar (antiga Birmânia) e tem trazido para a rua diariamente centenas de milhares de pessoas, que pedem a libertação de Aung San Suu Kyi, ex-chefe do governo civil, e o regresso à democracia.

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Centenas de partidários dos militares, com cartazes onde se podia ler “Apoiamos as nossas forças de defesa“, desfilaram no centro da maior cidade birmanesa, Rangum. Em protesto contra a manifestação, habitantes da antiga capital birmanesa começaram a bater em panelas, ato que se tornou um símbolo da resistência anti-junta.

Ao meio-dia (05:30 em Lisboa) eclodiram confrontos perto da estação central de Rangum, com os apoiantes dos militares a usarem canos e fisgas para atingir os habitantes que os vaiavam. Aung Zin Lin, 38 anos e que vive na zona, disse à agência France Presse que “uma dezena de pessoas foram feridas na cabeça”, depois de terem sido atingidas por pedras lançadas por fisgas.

Superando em número os partidários dos militares, os habitantes ripostaram e detiveram alguns, que possuíam cassetetes, canivetes e fisgas, adiantou. “Penso que eles (apoiantes do exército) têm o direito de protestar, mas não deveriam ter usado armas”, disse à AFP Zaw Oo, ferido nas costas nos confrontos.

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Noutro local da cidade, no campus da Universidade de Rangum, estudantes desfilaram pacificamente com as bandeiras vermelhas da Liga Nacional para a Democracia, o partido de Aung San Suu Kyi. A prémio Nobel da Paz, 75 anos, está incomunicável desde que foi detida, acusada de ter importado “ilegalmente” ‘walkie-talkies’ e de ter violado uma lei sobre gestão de desastres naturais. Uma audiência está marcada para 1 de março.

Na sequência de utilização pela junta de “violência mortal” contra os manifestantes pró-democracia, o Facebook decidiu encerrar as contas ligadas aos militares birmaneses, anunciou a rede social. “Os acontecimentos desde o golpe de Estado de 1 de fevereiro, incluindo violência mortal, precipitaram a necessidade desta proibição”, explicou o Facebook num comunicado.

As páginas das instituições governamentais agora geridas pela junta não são afetadas. Também foram decididas novas sanções contra a junta, com o Banco Mundial a anunciar a suspensão de toda a ajuda a Myanmar, que o ano passado ascendeu a cerca de 900 milhões de dólares (735,6 milhões de euros).