A poucos meses de começarem as negociações do Orçamento de Estado para o próximo ano e depois do chumbo do ano passado, o Bloco de Esquerda já abriu as portas ao Partido Socialista, já se ouviram garantias de que “ninguém está zangado” e, com pezinhos de lã, vai ensaiando uma aproximação ao Governo para que possa contar nas negociações deste ano. Isto, claro, depois de António Costa ter acusado os bloquistas de terem desertado durante as negociações do Orçamento de 2020. José Manuel Pureza, em entrevista ao Observador, diz que há uma “leitura perversa” em assumir que ficar fora das negociações do Orçamento pode tornar o Bloco um partido irrelevante.

“Se não aceitarem o que está [no OE] ficam irrelevantes, aceitar o que está pode tornar-nos irrelevantes. Seremos tanto mais relevantes quanto seremos capazes de identificar políticas que correspondam à vontade da maioria das pessoas”, disse o deputado acrescentando que “mais que definir linhas vermelhas em termos da negociação” o Bloco tem “a responsabilidade de identificar os pontos onde é imprescindível que se atue”.

Para Pureza continuam “por desatar grandes nós” nomeadamente na área da “saúde, emprego, sistema financeiro, trabalho, políticas sociais” e o deputado garante que o BE irá manter “uma posição de força, de influenciar o conteúdo das políticas”.

Já depois de Francisco Louçã ter subido ao púlpito para lançar Mariana Mortágua como ministra das Finanças, José Manuel Pureza, mais comedido, diz que entendeu a afirmação como “uma expressão de determinação e confiança no futuro” do Bloco.

“Ouvi-a [a afirmação] como uma manifestação de confiança num projeto político, numa força política que a Mariana representa muitíssimo bem. Uma grande determinação desta força política nos desmandos do sistema financeiro e a Mariana representa isso tudo”, afirmou José Manuel Pureza.

Contando com a análise ao resultado que Marisa Matias conseguiu nas eleições Presidenciais, José Manuel Pureza frisa que “os sinais que têm chegado ao BE dão muita confiança para continuar a ter responsabilidade para influenciar o país”, frisando que o Bloco “é a terceira força política nacional”.

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