Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O evento que serviu de apresentação do novo Model S Plaid, bem como para o arranque das entregas a clientes, decorreu na fábrica de Fremont, onde é produzido. Curiosamente, este evento acontece nove anos depois da apresentação da 1ª geração do Model S, que surgiu perante os olhos do público com a versão P85, capaz de atingir 265 km/h e ir de 0-96 km/h (60 milhas) em 4,2 segundos, bem longe pois do Plaid, que promete 1,99 segundos e 322 km/h.

Entre todas as características do novo Model S Plaid anunciadas pelo CEO da empresa, Elon Musk, a  única que não impressionou foi a autonomia, desde sempre um ponto forte da marca, especialmente se tivermos em conta que se trata de um modelo com três motores e 1020 cv, não uma versão com apenas um motor para incrementar artificialmente a autonomia. Ainda assim, 628 km são de longe o melhor valor do mercado nas mesmas condições e com o que se presume ser uma bateria com 100 kWh de capacidade.

Mais rápido do que qualquer superdesportivo

Com três motores, dois atrás e um à frente, o Model S Plaid anuncia 1020 cv, mas não apenas durante 2 segundos, ou pouco mais, como o Porsche Taycan, uma vez que um gráfico do banco de ensaio mostra o modelo a dispor de mais de 1000 cv até atingir 200 milhas, os 322 km/h que reivindica. É esta potência, associada ao novo recorde aerodinâmico para carros produzidos em série, com um Cx de apenas 0,208, que justifica que o novo Plaid atinja tão elevada velocidade máxima.

8 fotos

Mas talvez os 1020 cv sejam ainda mais importantes para explicar a capacidade de aceleração, que assim deixa para trás os 96 km/h ao fim de somente 1,99 segundos (2,1 segundos de 0-100 km/h) e o arranque no ¼ de milha em 9,23 segundos, longe portanto do mais potente dos Taycan, o Turbo S, que necessita de mais de um segundo para superar a mesma fasquia. É certo que, em breve, o Plaid vai ter concorrência do Rimac Nevera, que anuncia 1914 cv e 0-100 km/h em 1,97 segundos, mas só quando chegar ao mercado, a partir do final de 2021.

Eficiência à custa da tecnologia

O Model S Plaid recorre a uma mecânica com três motores, em que dois estão no eixo traseiro, mas há mais pormenores que contribuem para a eficiência do modelo. Para começar, não estreia as novas células 4680 desenvolvidas pela Tesla, que pela sua química, dimensões e forma de construção (com contactos circulares com os polos de grande área) deveriam garantir mais capacidade e mais autonomia, de acordo com a marca. Estava previsto que as 4680 surgissem no Plaid+, garantindo os mais de 800 km de autonomia, modelo que entretanto foi cancelado.

A novidade é o pack de baterias (supostamente com 100 kWh de capacidade) ser pela primeira vez estrutural, solução que a marca vai alargar aos restantes modelos, por permitir ganhar rigidez, peso e custos. Daí que Musk recorde que o regulador americano do transporte rodoviário, a National Highway Traffic Safety Administration, aponte cinco modelos da Tesla como os que se revelaram ser os mais seguros nos testes que realizaram, desde 2011, com o CEO a prometer que o novo Model S será ainda melhor.

8 fotos

Também os motores do novo Model S são novos, com o rotor a surgir envolvido por uma manga de fibra de carbono, o que garante melhorias no peso e no campo magnético, agora mais eficaz, de acordo com o fabricante. Todo o sistema de refrigeração também é novo, da bomba de calor ao tipo de radiador, com a Tesla a alegar que é 30% mais eficaz a temperaturas mais baixas e 50% melhor quando os valores estão abaixo de zero.

Quanto aos carregamentos, Musk avança que o Plaid armazenará em 15 minutos a energia necessária para percorrer 300 km, para mencionar de seguida que hoje os Superchargers têm uma potência de 250 kW, mas irão continuar a subir para 280, 300 e 350 kW a prazo.

Por dentro é a revolução

No habitáculo, é o volante “yoke” que salta à vista, com a Tesla a ter igualmente um volante normal, com o aro superior, sem contudo referir qual é oferecido de série. Todo o tablier é novo, tal como o ecrã central, que passa a horizontal, ganhando maior definição, com tudo a transpirar mais qualidade, de acordo com o fabricante. O conjunto é montado ligeiramente mais à frente, para proceder de igual forma com os bancos anteriores, deixando assim mais espaço para quem se senta atrás.

A forma como os assentos são construídos é nova, tal como o são os revestimentos das portas, pensados para deixar mais espaço a bordo. O ecrã traseiro, junto a um sistema para recarregar dois telemóveis por wireless, permite ver vídeos ou jogar. Outra das curiosidades a bordo é a ausência de ventiladores, com o ar a ser distribuído de forma inteligente e fácil de regular. Musk salientou ainda que o software que gere o novo ecrã recorre a um novo chip da AMD, que a marca diz ser equivalente ao que equipa as novas PlaySation 5.

O CEO da Tesla explicou ainda, de forma demasiado resumida, como vai funcionar o Auto Shift. Este sistema “adivinha” se o condutor quer andar para a frente ou para trás, consoante as condições, a envolvente do veículo e os compromissos programados no telemóvel, que sincroniza com o veículo. O telemóvel passa a servir para destrancar o carro assim que este se aproxima, accionando os fechos de porta e ligando o motor.

A produção do novo Model S Plaid já começou há alguns dias e as primeiras 25 unidades foram entregues aos clientes. O ritmo de produção será de várias centenas de veículos por semana, para o ritmo aumentar para 1000/semana no próximo trimestre. Isto indicia que a Tesla aponta para mais de 50.000 Model S Plaid por ano, mais do que se fabricou nos últimos anos, mas menos do que foi antecipado. Pode ver a apresentação do modelo aqui: