A variante com carroçaria mais curta do Jeep Wrangler vai ser descontinuada na Europa em 2022, por não existir forma de electrificar o modelo, de modo a permitir-lhe cumprir os limites de emissões estabelecidos pela regulamentação europeia, que estipula um máximo de 95 g de dióxido de carbono (CO2) por quilómetro para a média do construtor.

A decisão é confirmada pela própria Stellantis, o novo grupo que resultou da fusão da PSA e FCA, liderada pelo português Carlos Tavares que, entre outras virtudes enquanto gestor, conseguiu que a “sua” antiga PSA não incorresse em penalizações, avançando com um processo de electrificação com custos contidos, sem plataformas específicas e, como tal, sem necessidade de investir na adaptação de fábricas para produzir os eléctricos a bateria e os híbridos plug-in (PHEV) do grupo francês.

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Como a versão de duas portas possui uma distância entre eixos inferior à de quatro portas (2,5 m versus 3,0 m), isso impede esta variante de acomodar o conjunto híbrido dos Jeep 4xe, que se estreou no Compass e no Renegade, sendo o Wrangler o mais recente membro da família Jeep a disponibilizar uma motorização PHEV, mas só na variante mais comprida, que inclusivamente já pode ser encomendada em Portugal desde o final de Maio, sendo proposto por valores desde 74.800€.

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O Wrangler de 4 portas combina um quatro cilindros a gasolina de 2 litros sobrealimentado e dois motores-geradores eléctricos – um na caixa automática de oito velocidades, uma TorqueFlite fabricada pela ZF, e outro montado na frente que, entre outras coisas, substitui o alternador, estando ligado por correia à polia da cambota do motor térmico. O pack de baterias com 96 células funciona a 400V e tem 17,3 kWh de capacidade, encontrando-se sob a segunda fila de bancos, o que implicou um novo desenho dos assentos de trás para permitir que a base deslize para a frente, de modo a facilitar o acesso aos acumuladores. Ora, na versão de 2 portas é impossível replicar este exercício e, daí, a decisão de retirá-la dos mercados europeus, à excepção do Reino Unido, onde continuará a ser comercializada mesmo sem electrificação.

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Com 380 cv de potência máxima e 637 Nm de binário, o Wrangler 4xe anuncia 50 km em modo eléctrico, no ciclo urbano WLTP, o que lhe permite homologar um consumo de apenas 3,5 l/100 km e emissões de CO2 de 79 g/km. Comparativamente, o 2,0 litros a gasolina de 272 cv, sem apoio eléctrico, emite para cima de 200 g/km.

De realçar que embora o 3 portas seja a carroçaria mais clássica e característica do off-road americano, a realidade é que a procura europeia não reflecte esse apelo, pois esta variante reclama apenas cerca de 30% das vendas do Wrangler, com as restantes a ficarem a cargo do 4 portas, cuja continuidade está assegurada graças à nova versão 4xe.