Kathy Hochul vai tornar-se a primeira mulher a assumir o cargo de governadora de Nova Iorque, na sequência da demissão de Andrew Cuomo. Com 62 anos, a democrata nunca foi próxima do antecessor e disse mesmo que as suspeitas de assédio sexual lhe causavam “repulsa”. Ativista desde os tempos da faculdade e envolvida no combate a problemas da comunidade, como a violência doméstica ou o uso de drogas, Kathy Hochul declara estar “pronta” para assumir o cargo.

“Concordo com a decisão do governador Andrew Cuomo em demitir-se. É a coisa certa a fazer e vai ao encontro dos interesses dos nova-iorquinos”, escreveu Kathy Hochul na sua conta pessoal do Twitter. Esta foi, até agora, a única reação oficial da atual vice-governadora de Nova Iorque, que também destaca que é “alguém que serviu em todos os níveis do governo” — e que já foi considerada uma estrela em ascensão no Partido Democrata.

Kathy Hochul nasceu em Buffalo, no seio de uma família de operários católica e com raízes irlandesas. Era a segunda filha mais velha (no total eram seis irmãos) e, para fazer face às despesas, trabalhava numa pizzaria ao mesmo tempo que estudava. “Lembro-me de a ver chegar a casa à meia-noite. Deitava-se na sua cama e começava a estudar”, recorda ao The New York Times a irmã Sheila Heinze, com quem dividia quarto.

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O interesse pela política surgiu no ensino secundário e consolidou-se na faculdade. Kathy Hochul estudou direito na Universidade de Syracuse e tornou-se rapidamente uma ativista na defesa dos interesses dos estudantes. A sua primeira luta foi tentar que a livraria da universidade diminuísse os preços dos manuais e a mais longa foi a mudança de nome do estádio universitário para honrar Ernie Davis, um estudante e atleta que morreu de leucemia. A renomeação do estádio acabou por concretizar-se — mas apenas em 2009.

Após ter terminado o curso, Kathy Hochul ainda tentou experimentar a carreira de advocacia, mas não gostou. Preferiu, em vez disso, envolver-se na política — trabalhou enquanto assessora para o senador Daniel Patrick e para vários membros do Partido Democrata, com o qual sempre teve afinidade política e que acabou por se afiliar. Ocupou depois alguns cargos de relevo na política local e chegou, em 2011, a ser nomeada para o Congresso. 

Nas eleições de 2014 para eleger o governador nova-iorquino, surge aquele que foi o maior desafio da carreira de Kathy Hochul: Andrew Cuomo convida-a para o cargo de vice-governadora. Os dois conseguem ganhar as eleições e são mesmo reeleitos em 2018. Uma das principais funções do cargo de Kathy Hochul — e pelo qual ficou reconhecida — passava por chefiar uma task force de combate ao abuso de drogas.

Ao mesmo tempo que desempenha o cargo de vice-governadora, Kathy Hochul gere, juntamente com a sua família, uma associação de apoio a vítimas de violência doméstica, fundada em 2006. É também uma forte defensora dos direitos das mulheres.

Na sequência das acusações contra Cuomo, partilhou na sua conta pessoal do Twitter, uma mensagem onde diz que admira “a coragem das mulheres” que denunciaram o governador demissionário e classifica “o assédio sexual como “inaceitável em qualquer local de trabalho, e certamente no serviço público”.